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domingo, 23 de junho de 2013

De volta pra estante #89: O Torreão.

# - O Torreão Nome: O Torreão

Autora: Jennifer Egan.

Editora: Intrínseca.

Comprar: SubmarinoFNACSaraiva.

"Perdemos a capacidade de inventar coisas. Passamos esse trabalho para a indústria do entretenimento, e ficamos sentados por aí babando na camisa, enquanto eles fazem isso por nós."

 

   Mais um livro que poderia ter sido melhor… se não fossem minhas expectativas.

   Sempre espero encontrar um nível de leitura diferente quando pego autores vencedores de prêmios, e procuro determinar o que os fez merecedores da honra. Devia ter me precavido: Jennifer Egan recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção 2011 por outra obra – “A visita cruel do tempo”, que está na fila de leitura – , e não por “O Torreão”.

  Para os leigos, torreão é a estrutura de um castelo, em formato de torre, que tem como função a defesa da propriedade. Esta é a primeira coisa que chama a atenção de Danny, um adulto de quase 40 mas que se veste como um punk de 20; ele havia sido convidado por seu primo, Howard, para ajudá-lo em um novo empreendimento, numa cidade de nome impronunciável na Áustria, Alemanha ou República Tcheca (“essas fronteiras vivem deslizando para cá e para lá”). 

   O personagem de Danny é tão singular que define o celular como lar: só quando está em uma ligação, parte cá e parte lá, que ele se sente completo. Ele tinha tudo para ser alguém na vida, mas uma sucessão de escolhas erradas o levou a aceitar o pedido do primo sem pensar duas vezes – mesmo que os dois tenham um passado conturbado.

   A proposta de Howard é transformar um velho castelo em um hotel que recobre o modo de viver da Idade Média, quando o homem dependia de si e dos outros para viver, e não de máquinas. No final, a região deve se transformar em um retiro espiritual para o homem moderno.

   Esse contraste e todas discussões sobre a interação homem-tecnologia incomoda – olhe para você, agora! Está fazendo uso de um equipamento que está ligado sabe-se lá desde quando! E a parte mais peculiar em montar um negócio a partir do afastamento dessas tecnologias é a necessidade dele existir. Quem não gosta da ideia de passar um fim de semana na fazenda desde que tenha sinal de celular?

  A história vai além, ao mesclar esse enredo com a de um presidiário que frequenta uma oficina de escrita. O momento em que os caminhos se cruzam é tão sutil que senti como se virasse o livro do avesso. Enquanto lia, sentia que ia entrando em um estado quase de meditação – ao contrário de todas as leituras que tenho feito. Não me foi despertada nenhuma empatia pelos personagens, mas estive ao lado deles e evolui paralelamente.

   Por fim, acredito que o que me prendeu até o final foi o clima neogótico do romance. Fazia tempos que não tinha contato com esse tipo de narrativa, que leio menos que gostaria.

quinta-feira, 28 de março de 2013

De volta pra estante #85: Delírio.


A capa não é azul de verdade... é metalizada! Mas como o efeito só é visto ao vivo, fica assim mesmo.
Nome: Delírio
Autora: Lauren Oliver.
Editora: Intrínseca.
Comprar: SaraivaCulturaLeitura.
“Fase um: preocupação, dificuldade de concentração, boca seca, transpiração, suor nas mãos, tonteira e desorientação.”

   Em alguns dias, uma sociedade que trata o amor como uma doença e desenvolveu uma cura para ele é uma utopia pra mim! Bora combinar que nem sempre é fácil lidar com os sintomas, que ficam mais graves se não forem tratados.
   Lena sabe muito bem disso: depois que sua mãe foi morta por causa do amor deliria nervosa, ela segue obedientemente toda a cartilha da Sociedade, evitando chamar mais atenção para si ou para a família da tia, que a acolheu. Felizmente, ela não terá que se policiar por muito mais tempo, pois em alguns meses será operada e destituída da capacidade de amar. Enquanto isso, ela se submete a exames, que definirão se é boa o suficiente para entrar pra faculdade, e que mapeiam suas características psicológicas (uma vez que precisam encontrar-lhe o par ideal).
   A garota procura se afastar de tudo que possa atrair mais falatório, e descobre que pode ser um pouco difícil. Sua melhor amiga, Hana, passa a apresentar um comportamento estranho, e convida-a a conhecer um lado não oficial da cidade – festas depois do toque de recolher, de meninos e meninas, com música não aprovada pelo governo. Adolescente é adolescente em qualquer lugar, e logo a precaução é substituída pela curiosidade. Lentamente um novo mundo se apresenta.
   Fica cada vez mais complicado ser obediente a todas as regras que lhes são impostas: no momento em que está respondendo à sua avaliação, uma confusão de cria no local, e tudo indica que é uma ação dos Inválidos (o grupo de resistência, cuja existência é negada pelo governo. haha.). Claramente a segurança não é tão efetiva quanto se espera… E por falar em segurança, por que aquele garoto estava em sua sala de avaliação? E todo o comportamento inusitado que seu corpo passa a apresenta depois do contato visual com ele seriam sintomas do deliria?

   Eu já tinha ouvido falar de Lauren Oliver, mas não consegui ter ânimo para conferir “Antes que eu vá” até agora. É incrível o quanto ela nos envolve na história, e a princípio tudo parece simples! É apenas uma garota, um garoto e o sentimento universalmente conhecido, mas a forma como ela apresenta tudo isso faz com que não queiramos terminar de ler nunca.
   Finalmente me forcei a concluir a leitura, e ao terminar fiquei abraçada com o livro por algum tempo, me controlando para não recomeçar. A continuação será lançada no mês que vem, mas só de ter Delírio na minha vida já me sinto satisfeita.

   Quanto às adaptações… Claro que não iam perder a oportunidade de trabalhar em cima de uma obra de qualidade. A Fox está produzindo o seriado que conta com Emma Roberts no papel principal. Sou muito resistente à adaptações, principalmente de coisas que gosto muito, mas nesse caso acredito que tenho mais razão ainda : Delírio será uma trilogia, e não é uma obra extensa. Já adicionaram personagens extras; será que conseguirão manter a essência da obra?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

De volta pra estante #79: Amanhecer.

   Este é o último livro da série Crepúsculo. Resenhas anteriores: Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse. Spin off: A Breve Segunda Vida de Bree Tanner.
 #79 - Amanhecer
Nome: Amanhecer
Autora: Stephenie Meyer.
Editora: Intrínseca.
Comprar: SubmarinoSaraivaFNAC.
“ - Então, no fim, foi uma combinação de fatores, mas o que realmente resume tudo é… Bella.”

   Coisas que pensei durante a leitura:
  1. Boa notícia pra quem é desajeitada e se sente deslocada: você pode ter nascido para ser vampira.
2. E se você é um vampiro, cuidado! Use sempre proteção se sua parceira não for da sua espécie…
   Minha experiência com Eclipse não foi das melhores – teve muito drama dispensável. Como já tinha lido 75% dos livros, não ia deixar de terminar a série – como se eu fosse capaz! Aí peguei Amanhecer, que é grande, e comecei sem expectativas, até por já saber parte do que aconteceria (conhecer muitos fãs = spoilers).

   O livro começa com – finalmente! – o casamento de Bella e Edward. Gostei do ritmo dessa parte, provavelmente porque os coadjuvantes aparecem bastante. Em seguida vem a lua de mel, e o que o casal estava esperando para fazer desde o começo da série. Só tive noção do perigo que a garota passava quando Jacob a alertou no casamento, mas isso não a impediria! E eles consumam a união de forma violenta sim (será que daí veio a inspiração pra 50 Tons de Cinza?).
   Daí vem a reviravolta. Bom, Edward é um vampiro. Ele está… morto. Seria capaz de gerar vida? Nessa mitologia, sim. E a criança, será vampira (e matará a mãe, se alimentando dela) ou humana?

   Porque gostei de  Amanhecer: 1. O livro é dividido em três partes, sendo que uma é narrada por Jacob. Ele merecia mais espaço mesmo, pra variar um pouco. Gritante a diferença de discurso entre ele e Bella. 2. Os momentos de drama são poucos, e rápidos. Tem muita ação. 3. É possível perceber o amadurecimento na escrita da autora. Ela soube dar enfoque no essencial, e criou um clima de suspense muito bom, que até então eu não tinha visto.
   No entanto, ficou muita coisa concentrada ali. Um pouco da trama poderia ter sido mostrada em Eclipse, pra agitar; se me perguntassem, diria para contarem até o fim da parte de Jacob no terceiro volume – o que deixaria um gancho pro último, proporcionando fortes ataques de ansiedade.
   Por fim, respirei de alívio quanto tudo acabou. A Bella tem um ímã para atrair perigos, e se o livro não acabasse alguma coisa ia acontecer (só eu percebi uma sutil possibilidade de continuação?). Posso ver os filmes e comparar sem peso na consciência.
Amanhã: como paguei a língua com Crepúsculo!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

De volta pra estante #77: A Breve Segunda Vida de Bree Tanner.

#77 - A breve segunda vida de Bree Tanner Nome: A Breve Segunda Vida de Bree Tanner
Autora: Stephenie Meyer.
Editora: Intrínseca.
Comprar: Saraiva Submarino FNAC
    “Eu vi a postura dele mudar. Ele se abaixou no telhado, uma das mãos agarrada à beirada. Toda aquela estranha simpatia havia desaparecido – era agora um predador. Isso era algo que eu reconhecia, algo com que me sentia confortável. Porque isso eu entendia.
   Desliguei meu cérebro. Era hora de caçar. Respirei fundo, inalando o odor do sangue no corpo das pessoas lá embaixo. Não eram os únicos humanos por perto, mas eram os mais próximos. Quem você caça é o tipo de decisão que se deve tomar antes de farejar a presa.”

   O livro é um spin-off de Eclipse, e eu o li antes de Amanhecer. Esperava algum tipo de relato em terceira pessoa sobre a vida da personagem Bree Tanner, que tem umas  5 falas no terceiro livro da série; ao invés disso, a recém-criada narra sua vida, apresentando a realidade de um vampiro “carnívoro”, que caça as pessoas do modo mais tradicional. Mais ainda, a obra é um romance, e a parte didática – sobre os hábitos e tudo mais – vêm naturalmente.

   Bree foi criada para fazer parte do exército de Victoria. Pode-se dizer que ela teve muita sorte em continuar viva, pois sua constituição física não seria suficiente para uma batalha. Riley, seu criador, se prendeu à esperteza que ela poderia apresentar e, e se isto não acontecesse, ela poderia ser destruída.
   Na concentração de vampiros, é comum um matar o outro, já que os recém-criados estão no auge de sua força e períodos de abstinência torna-os irritadiços. Para dominá-los, Riley tenta controlar o dia em que cada um sai para caça e sustenta a ideia de que eles não podem sair de dia, confinando-os por este período. Vou contar que é mórbido ler como uns arrancam os braços dos outros (recuperando o membro perdido – que também pode ser orelha, pé, perna, etc – é possível “colá-los” de volta, passando veneno e fixando no lugar certo. o-O’). Para evitar confusões, Bree se esconde atrás de Fred, um vampiro com uma habilidade especial – ele consegue criar um campo de repulsão, impedindo as pessoas de se aproximarem e até de vê-lo. A garota acredita que ele lhe tem algum tipo de empatia, já que ela não tenta forçar a amizade e procura uma convivência harmoniosa.
   Além de Fred, Bree se relaciona muito bem com Diego, um vampiro ‘mais velho’ e um dos homens de confiança de Riley. Entre eles rola algo mais que companhia de conveniência. Com ele, ela consegue pensar em mais alguma coisa do que a sede insuportável que é comum aos calouros. Aos poucos eles vão estabelecendo uma relação de confiança e um algo a mais.
   A vida existência poderia até ser boa, se eles não tivessem sido criados com um propósito: lutar por Victoria. O verdadeiro motivo não é conhecido pelos peões, que julgam estar indo pra luta contra vampiros que querem seu território. Bree não poderia imaginar o que aconteceria se ela começasse a desvendar as teias de mentiras…

   Não dá pra explicar o quanto é bom sair da cabeça de Bella; a visão sobre os fatos é bem mais simples e direta. Gosto da mitologia vampiresca da Steph, e neste livro alguns pontos ficaram mais claros: ela defende que vampiros existem, e que não percebemos a existência deles porque são discretos (esta é uma lei!). Os vampiros ensinados sabem que devem caçar a escória, pessoas que ninguém sente falta. O sangue tem gostos diferentes: quem bebe tem um gosto mais amargo, usuários de drogas tem um sabor diferente.
   Fui surpreendida pela história, e acabei triste com o final. O livro é pequeno, mas traz informações interessantíssimas para a saga! Quem gosta deve ler. Só assim pra ter uma visão completa da criação de Stephenie Meyer.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

De volta pra estante #64: Eclipse.

# - Eclipse Nome: Eclipse

Autora: Stephenie Meyer.

Editora: Intrínseca.

Comprar: SubmarinoSaraivaFNAC.

“ – Você é... bom, não exatamente o amor da minha vida, porque eu espero amar você por muito mais tempo do que isso. O amor da minha existência. Não ligo para quem é lobisomem e quem é vampiro. Se Angela se transformar em bruxa, poderá se juntar à festa também.” (Ang, estarei torcendo por você!)

   A série continuou contando a vida de Bella – já reconciliada com Edward. Ela quer se tornar uma vampira, e ele é contra; segundo o sanguessuga, ela perderá sua alma e pode ficar condenada pelo resto de sua existência (inserindo aqui ideias de Céu/Inferno). Os argumentos de Bella são válidos, e eu concordo: imagina se ele permanecesse com 17 anos pra sempre, ao lado dela, enquanto a garota envelhece? Argh. A condição que ele propõe é que ela viva ao máximo as experiências humanas – tais como comparecer ao baile de formatura e ir para a faculdade.

   No mundo dos “anormais” algumas coisas estão fora do lugar: uma sequência de mortes em Seattle indica que alguém está criando vampiros desgovernadamente. Bella tem seu quarto revistado – e o invasor não deixa nenhuma pista. Quanto a esses fatos, Alice não consegue ver o futuro com clareza. Não é o melhor momento para priorizar endereçamentos de convites para a formatura…

Como se não bastasse, Bella se vê no meio de uma disputa entre Jacob e Edward. Os dois são extremamente antagônicos, e ela fica louca de indecisão – se bem que Edward é bem mais sutil. Jacob é bem mais direto. Qual seria a melhor estratégia?

 

   Olha, este livro foi o menos bom até agora; a autora enrola mais do que de costume, repete diálogos do tipo “eu te amo mais” e “meu amor por ele é diferente”, e para a ação ela se agarra a uma trama que não merecia essa atenção toda. Sinceramente, obsessões tem limite! (ou não, já que são obsessões, mas enfim)

   Por outro lado, a agitação no final foi fundamental para o desenvolvimento de alguns personagens. Pude finalmente conhecer a cena em que Jacob dorme abraçado à Bella na frente de Edward (que ficou na minha cabeça desde quando vi esse vídeo do Felipe Neto – procura lá por volta dos 8’24”). Tá, fora o que o Felipe falou (não concordo, tem todo um porquê por trás), a conversa entre os dois foi uma das melhores partes.

   Falando em desenvolvimento de personagens, conhecemos o passado de Rosalie e Jasper. Deu pra entender claramente porque a Barbie Vampira é contra a ideia de Bella se transformar. A bitch garota subiu no meu conceito!

 

– Gostaria de ouvir minha história, Bella? Não tem um final feliz.… Mas qual das nossas histórias tem? Se tivéssemos finais felizes, todos estaríamos sob lápides. (Rosalie)

 

Agora vou ler Amanhecer, pois tô morrendo de vontade de saber o futuro da Bella… Já que não tenho o dom de Alice.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

De volta pra estante #53: Bela Maldade.

“O problema com as palavras é que, por mais que façam sentido, em teoria, elas não conseguem mudar o que sentimos.”

 

Bela Maldade

Nome: Bela Maldade

Autora: Rebecca James.

Editora: Intrínseca.

Comprar: SubmarinoSaraivaCultura

 

   Bela Maldade nos introduz à vida de Katherine, contada por ela mesma, durante três diferentes etapas de sua existência. Em um, ela tem uma filha e tenta conviver com os fantasmas de seu passado; em outro, tem 17 anos e tenta viver no anonimato, em uma nova escola e morando longe dos pais. No terceiro, ela tem 14 anos e é uma adolescente popular no seu grupo, feliz com a família e namorado. Mas uma noite de decisões erradas iria colocar tudo a perder…

   Após o prólogo – que nos traz um pequeno spoiler, o que acaba aumentando o suspense do livro – Katherine e Alice se conhecem e se aproximam, mais por insistência da segunda, que vai completar 18 anos e elegeu a outra como ‘convidada de honra’. Kathy se vê acuada: do nada, a garota mais aberta e espontânea da escola a reintroduz no mundo de ouro dos adolescentes, com festas, bebidas e azaração, tudo que ela evita por causa da tal noite fatídica. E Alice é muito envolvente: como Kathy poderia se afastar da outra, que se mostra tão disposta a fazer amizade?

   Depois de tanto tempo evitando relacionamentos, Katherine se abre para Alice, deixando-a conhecer seu passado e suas dores. Logo a dupla se torna um trio: Alice tem um ‘amigo’, com quem pode contar, sempre: Robbie é apaixonado pela garota, ainda que ela não lhe dê nenhuma esperança. Com a presença de outra pessoa no grupo, Alice passa a ser questionada por suas ações intempestivas, e de pouco a pouco a imagem perfeita vai se quebrando, deixando frestas que mostram o pior da garota. Resta diferenciar o que é real e o que é inventado, e saber escolher no que acreditar.

 

   Fazia tempos que eu não lia um thriller psicológico tão bom, e tão intenso. A autora muda de fluxo narrativo quando bem entende: uma hora é Kathy de 17 anos, em outra é a de 14. Isto vai criando um suspense por deixar no ar as histórias, enquanto temos que acompanhar um fato passado ou futuro. Certas horas eu queria pular uns capítulos, pra continuar no tempo em que eu estava, mas aí o diferencial: uma parte vai explicando a outra. Não sabemos qual é o trauma da protagonista, nem como ela chegou à situação em que se encontra na vida adulta – a adolescência parecia tão promissora…

   A personagem Alice é uma incógnita. Não dá pra saber até que ponto ela é verdadeira, e até onde ela está disposta a ir. A cada ação, uma surpresa. Não dá pra descrever o quanto nem o quê eu senti enquanto lia o que ela fazia…

   Tiro o chapéu para Rebecca James, e recomendo o livro um milhão de vezes. Não será esquecido tão cedo!

sábado, 28 de abril de 2012

De volta pra estante #52: Lua Nova.

“O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro do segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa.”

#52 - Lua Nova Nome: Lua Nova
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Comprar: SaraivaSubmarinoFNAC.

   Bella e Edward estão às mil maravilhas. Logo é aniversário da garota, e ela prefere não comemorar – o que não impede Alice, que se tornou uma grande amiga, de fazer uma festa de aniversário na casa dos Cullen. Como Bella é um imã para acidentes, ela acaba se cortando e sangrando, tomando todos de surpresa. Jasper, o que tem mais dificuldade de adaptação a não tomar sangue humano, acaba avançando por instinto, e precisa ser contido. A festa é interrompida, deixando aquela atmosfera pesada nos todos.
Depois disto, Edward fica distante, e é com surpresa – nossa e de Bella – que descobrimos que ele e todos os outros vão partir de Forks. Simples assim. Oi Bella, estou me mudando, tchau.

Ao longo de Crepúsculo vimos o quanto Bella estava dependente emocionalmente de Edward. A ruptura, portanto, não é nada fácil. Ela entra em processo de zumbificação: vive por viver, não conversa, não sai, vive a mesma rotina, tentando sufocar a dor do abandono. Seu estado de letargia só é interrompido quando seu pai ameaça mandá-la para morar com a mãe, o que ela recusa terminantemente e, para agradar ao pai, vai saindo do casulo. Um grande apoio é Jacob, amigo de infância, que se apresenta cada vez mais interessante. Não que ele consiga tampar o vácuo deixado por Edward.

Bella parece determinada a viver perigosamente, e não digo isso somente por suas atitudes precipitadas. O imã para perigo é tão forte que seus relacionamentos mais próximos se mostram totalmente fora do normal. Não dá pra ficar pensando muito no assunto sem achar que é até um pouco de forçação de barra, uma vez que, a priori, ela não tem nada de especial.

O fim do livro se mostra agonizante, mais uma vez, e apresenta os Volturi – o clã de vampiros que governam todos os demais. Aí sim! Vampiro de verdade. Não me levem a mal, mas ficar ouvindo a Bella o tempo todo cansa. Quando saímos um pouco do mundinho em que ela vive, é como um sopro de ar fresco; novos personagens, novas impressões, viva!!

Fico com a impressão de que a autora faz um bom começo, enrola no meio e encerra maravilhosamente, chamando a gente pro próximo volume. Então tá. Eclipse, seu lindo, vemk!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

De volta pra estante #50: Crepúsculo.

“ - Eu sempre falo demais quando converso com você… Este é um dos problemas.

   - Não se preocupe… Eu não entendo nada mesmo – eu disse desvirtuadamente.

   - Estou contando com isso.”

 

Crepúsculo Nome: Crepúsculo

Autora: Stephenie Meyer.

Sinopse:Quando Isabella Swan se muda para a melancólica cidade de Forks e conhece o misterioso e atraente Edward Cullen, sua vida dá uma guinada emocionante e apavorante. Com corpo de atleta, olhos dourados, vez hipnótica e dons sobrenaturais, Edward é ao mesmo tempo irresistível e impenetrável. Até então, ele tem conseguido ocultar sua verdadeira identidade, mas Belle está decidida a descobrir seu segredo sombrio.

Editora: Intrínseca

Comprar: SaraivaSubmarinoFNAC

 

   Eu sempre me orgulhei de afirmar que não apoio nenhum tipo de preconceito. Às vezes ocorria de virar a cara quando falavam de Crepúsculo, mas nunca disse que não o leria – há testemunhas disto! Só queria que a febre baixasse um pouco, que eu pudesse ler sem nenhum tipo de influências, seja da mídia ou dos amigos. Acreditam que até hoje nunca vi nenhum dos filmes?

   Eu já tinha lido um pouco o livro; notei que a escrita era bem fluída, cheia de diálogos. É o tipo de obra que você diz que vai ler só um pouquinho, e quando vê já avançou um monte…

   Se você já conhece a história, pode ir um pouco mais pra baixo, quando eu falo mais das minhas impressões.

 

   Bella é uma garota de 17 anos que se muda para Forks, cidade onde mora seu pai, para desimpedir sua mãe de ficar com o novo marido. A garota só faz isto para ver a mãe feliz, uma vez que a cidade é o oposto do que ela aprecia: nublada, com chuva constante, fria, e pequena. Todos sabem da vida de todos. Além disso, seu relacionamento com o pai não é dos melhores.

   Na escola, ela tenta se enturmar, e conhecendo um pouco melhor seus colegas, nota que um grupo costuma se sentar mais afastado no refeitório: os Cullen, irmãos adotivos, se excluem e/ou são excluídos do meio dos demais. Sua beleza é notória, todos parecem perfeitos demais para serem reais.

   Para sorte – ou azar de Bella – , um deles senta-se ao seu lado na aula de Biologia. A reação do outro é longe de ser normal; ele se porta de maneira agressiva, e a garota logo pensa que ele a odeia (seja lá porque motivo). Ela o flagra tentando mudar de classe, sem sucesso. Sua primeira impressão não é das melhores…

   Eis que em um dia de neve um colega derrapa o carro no estacionamento, e por pouco não acerta Bella – de maneira inexplicável, Edward, que parecia ter-lhe tanto desprezo, salva-a de maneira inexplicável. Em busca de respostas, ela passa a inquiri-lo, e pouco a pouco vão construindo um relacionamento cheio de altos e baixos. E gradativamente, ela percebe o que ele realmente é. Como isto a afetará, só lendo para descobrir… ;)

 

    Conforme fui avançando, abandonei o tom de escárnio que assumi no começo – já cheia de pré-concepções que vi por aí: vampiros que brilham? Não tomam sangue humano? Blablabla. Logo os risos deixaram de ser depreciativos, e passaram a ser de apreciação. A autora criou sua espécie de vampiro diferente (embora nem tanto – me lembrei bastante do filme Entrevista com Vampiro, que foi inspirado no livro homônimo de Anne Rice, durante a leitura).

  Achei a história um pouco enrolada em algumas partes. Lenta. Mas logo vinha alguma coisa pra dar uma sacudida!  õ/

   Gostei da história e apesar de o gancho para os outros livros não ser dos melhores (a Victoria poderia não ser uma grande ameaça, era só a autora querer…), vou continuar a ler a série. Os diálogos são engraçados! Confira alguns trechos:

 

“- Rá! Você está branca feito um fantasma… Não, está branca feito eu!”

 

“- Parecia que você estava almoçando a Bella, e viemos ver se podíamos dividir – anunciou Alice.”

 

   Não poderia deixar de comentar o filme: não, eu ainda não vi, mas já vi trailer e pôsters. Sinceramente? Robert Pattinson e Kristen Stewart não fazem meu tipo de Edward e Bella. Na minha cabeça as feições são bastante diferentes. Por outro lado, Taylor Lautner como Jacob encaixa bem (poderia ser mais alto e encorpado, mas deixa pra lá…) . Agora vou terminar de ler a série para pensar em ver o filme. Porque já gostei do livro,  e ver a obra deturpada na tevê não ia ser muito interessante…

sábado, 7 de abril de 2012

De volta pra estante #49: Pequena Abelha.

“Temos  de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Esse vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma em um morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu Sobrevivi’.”
pequena_abelha

Nome: Pequena Abelha
Autor: Chris Cleave
Sinopse: Não queremos lhe contar o que acontece neste livro. É realmente uma história especial e não queremos estraga-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessa, por isso vamos dizer apenas o seguinte:
Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comenta-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola.
Editora: Intrínseca.
Comprar: SubmarinoSaraivaCultura
   Quando vou escolher um livro pra ler, a seleção varia entre vários critérios: autor, capa (sim, eu as julgo), um comentário interessante e a curiosidade que me é despertada ao ter contato com um ou mais desses aspectos. Quis ler Pequena Abelha, pra começar, pela capa: o laranja é uma cor tão vibrante que te atrai, logo de cara. Depois, o título: eu tinha assistido ao filme “A Vida Secreta das Abelhas” há pouco tempo, e tive uma matéria em um semestre sobre estes insetos. Aquilo estava na minha cabeça. Como deixar o livro passar batido? Parti, então pra sinopse. Sim, aquela mesma que está na ficha logo acima.
   Ficou com vontade de ler? Eu achei intrigante, e fiquei um pouco chateada, por ter quase nenhum indício do que a história se tratava. Claro que milhões de hipóteses surgiram na minha cabeça, mas só lendo pra descobrir. E acabou não sendo nada como imaginei – como costuma acontecer!
   Por isto, caso queira passar pela experiência sugerida pelo livro, acho melhor não ler os dois próximos parágrafos, que até estão destacados. Eu vou quebrar *um pouquinho* o protocolo porque não há necessidade de ficar no mais completo segredo sobre o enredo, e ninguém vai sair levando gato por lebre.

   Seguindo dois fluxos narrativos, a história apresenta um momento em que duas mulheres – Pequena Abelha e Sarah – se reencontram, depois de dois anos. Abelhinha é uma jovem nigeriana, e por correr risco de vida em seu país, ela foge para a Inglaterra, e pretende encontrar Sarah e seu marido, Andrew. Eles são os únicos ingleses que ela conhece, e depois de um episódio numa praia nigeriana, é certo que suas vidas foram profundamente marcadas. Sarah é uma mulher bem sucedida profissionalmente, ainda que às vezes tenha crises de identidade e entre em atrito com pessoas próximas. Ela e Andrew têm um filho, Charlie, mas eles não são um sinônimo de família perfeita.
   Eis que elas se encontram, fragilizadas pelos acontecimentos nesse meio tempo. Passada a surpresa por parte de Sarah, ela acolhe a moça e tenta reconstruir um pedaço de si mesma que foi perdido dois anos atrás. Ambas estavam profundamente mudadas, e este ponto em comum as une em busca do equilíbrio entre si e consigo mesmas.

   Eu não posso entregar a história inteira; não que eu queira deixar alguém curioso, mas é que a narrativa e a história foram tão bem construídas que não se separam, e entregando uma, acaba com a outra.
   O livro é cheio de contrastes: a africana e a europeia, paisagens urbanas e rurais, uma prisão cheia de refugiados em um país desenvolvido. Isto passou para mim, quando penso que poderia caracterizá-lo como intenso, mas abordado de forma singela; e quando penso no quão frustrada fiquei por ele não corresponder às minhas expectativas, imagino se isso foi de fato algo ruim.
   Recomendo que leiam, sem pretensões. Ainda que a editora tenha enchido a contracapa com opiniões de conceituados jornais, nenhum deles chega perto da experiência que foi ler este livro e, acredito, é tão individual quanto sua impressão digital.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

De volta pra estante #9: A Menina que Roubava Livros.

“Havia uma estátua da roubadora de livros na praça… É muito raro, não acha?, uma estátua aparecer antes de o homenageado ter-se tornado famoso.”
   Como é dito na contra – capa, “quando a Morte conta uma história, você deve parar pra ler”. Eu parei pra ler, a um ano atrás. Interrompi a leitura no segundo capítulo; não consegui acompanhar o ritmo meio arrastado. Nestas férias eu estabeleci o objetivo de ler este e outros livros que estão encostados há algum tempo. Depois de algumas leituras, resolvi pegar esse. Queria ver o que ele reservava pra mim e porque ele foi um best-seller, afinal. Alguma coisa ele devia ter para que tantas pessoas o lessem e gostassem.
   Descobri, no fim das contas.

menina que roubava

Nome: A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca.
Sinopse: Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em A Menina que Roubava Livros, livro há mais de um ano na lista dos mais vendidos do The New York Times. Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade desenxabida próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido da sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, O Manual do Coveiro. Num momento de distração, o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. E foram estes livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de rouba-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto a sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar. Há outros personagens fundamentais na história de Liesel, como Rudy Steiner, seu melhor amigo e o namorado que ela nunca teve, ou a mulher do prefeito, sua melhor amiga que ela demorou a perceber como tal. Mas só quem está ao seu lado sempre e testemunha a dor e a poesia da época em que Liesel Meminger teve sua vida salva diariamente pelas palavras, é a nossa narradora. Um dia todos irão conhece-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena.
   Essa sinopse é muito boa e instigante, apesar de não fazer jus à Rosa Hubermann.
   Markus Zusak nos mostra uma história diferente: a Morte é a narradora-personagem. Por ela ser o que é, é possível que nós saibamos o que acontece tanto aqui quanto acolá, uma vez que a Morte consegue se transportar por todos os lugares instantaneamente. Sabe como é, ossos do ofício. Isto deu uma agilidade a história.
   Durante a 2ª Guerra Mundial, Liesel e seu irmão seriam levados aos cuidados de uma família adotiva, uma vez que a mãe deles não tem condições de cuidar de ambos. A família recebe uma pensão do governo por cada criança cuidada.
   No caminho para o novo lar, o irmãozinho de Liesel morre, e ela vê tudo. A Morte vem buscá-lo, e ao ver a menina se dar conta da morte do irmão, ela para para ver no que isso ia dar. Acaba acompanhando mãe e filha até o enterro do garotinho, e vê então o primeiro ato criminoso de Liesel: ela furta o livrinho de capa preta que cai do bolso de um dos homens que enterravam seu irmão. “O Manual do Coveiro”, este era seu título; a nova dona, no entanto, não tinha aprendido a ler, então guarda o objeto mais como lembrança do que tinha acontecido. Ele é uma das únicas lembranças que ela poderia carregar de sua antiga família.
   A família adotiva é composta somente por seus pais, Hans e Rosa Hubermann. O jeito do homem transmite confiança à garota, e ele é o único que consegue lidar com ela. A mãe é uma boca-suja, xinga a tudo e a todos sem papas na língua. E é um pouco violenta também: qualquer falha de Liesel é motivo para surras e ralhações.
   A menina logo conhece e fica amiga de um garoto vizinho, Rudy; eles jogam futebol juntos, andam pra cima e pra baixo pela cidade e acabam na mesma turma da escola. Ele vive implorando um beijo dela, que sempre nega.
dona morte
A Morte do livro não usa foice!
   A Morte não faz questão de manter suspense. Às vezes ela nos dá um spoiler sobre o que vai acontecer a seguir, mas nem por isso o leitor sai prejudicado. Ela faz observações dos humanos, curte com a cara de quem está lendo e, algumas vezes, nos fala mais de seu ofício. Foi uma experiência diferente escutar o que a “indesejável nº 1” tem a nos dizer. Pensa que é fácil ser a Morte em tempos de guerra? Pense novamente!
   Outra coisa que me fez gostar do livro é que ele nos mostra uma face da guerra que livro de história nenhum o faz: o dos alemães. A figura do Führer está presente em cada Heil Hitler, em fotos nos estabelecimentos, nas suásticas gravadas nas roupas. A guerra não fez a Alemanha ficar mais rica, pelo contrário, fez com que seus cidadãos entrassem em um regime de racionamento de alimentos. Quando começaram os bombardeios, a cada sirene de aviso era uma correria para os abrigos, onde a tensão reinava. Pensa em viver assim?!
   Apesar de tudo, este livro é de ficção. Zusak teve a ideia de uma roubadora de livros, mas achou que não era uma história adequada para os dias atuais, então ele se baseou nas experiências de seus pais, que viveram neste período na Alemanha. E, mesmo que no livro possamos ver tantas expressões alemãs, como Saumensch, Watschen e Alles Gut, o livro foi escrito originalmente em inglês: Markus mora na Austrália. Gostei deste recurso utilizado pelo autor, pois assim entramos mais na história, a contextualização é maior. Quem fala inglês pode ver a semelhança entre as línguas: um exemplo é “alles”, como coloquei ali em cima. Traduzindo pro inglês fica “all” (“tudo”, em português).
   Leia. É um livro completo, que exige um pouco de dedicação, mas que faz compensar no fim. É tão bom que ele me animou a escrever um capítulo a mais para colocar no fim, porque achei que faltava alguma coisa; foi o primeiro que me deu vontade de fazer isso.
   Já leu? O que achou?
   Se não leu, leria? Se não, porquê?
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