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domingo, 27 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – O início.

Que comecem as celebrações!   É uma verdade universalmente conhecida que um livro, no seu bicentenário, merece todas as comemorações possíveis. Quando ele é o seu preferido, não se é possível deixar a data passar em branco!
   Para celebrar, preparei vários posts que retratam uma parte de tudo que foi explorado pela mídia e mercado editorial nesses 200 anos. Para começar, vamos às origens!
  
   Depois de uma temporada com a família de seu irmão, em 1796, Jane Austen escreveu First Impressions – que foi rejeitado pelo editor, a princípio. Isso levou à uma revisão do material: o nome foi alterado, tanto para evitar confusão com os livros que já tinham esse título, quanto para remeter ao sucesso anterior, “Razão e Sensibilidade”.
   Em 27 de janeiro de 1713, a primeira edição de Orgulho e Preconceito, publicada em três volumes de capa dura, chegava nas bancas; as avaliações positivas e bom recebimento pelo público fizeram com que no mesmo ano houve uma segunda tiragem.
   A primeira tradução aconteceu ainda em 1713, para o francês, e em seguida para o alemão, dinamarquês e sueco. No Brasil, teve sua primeira versão publicada pela editora José Olympio em 1940.Jane assinava seus livros com "a Lady"
   Quando a mim, comecei pelo filme – estava passando os canais e ele estava para começar. Como não tinha nada mais pra fazer, parei para ver o que seria o filme mais assistido na minha vida. Logo quando soube que era uma adaptação, corri pra comprar o livro. Me arrependo de ter trocado meu primeiro volume, por seu valor emocional, mas ele já foi devidamente reposto. A resenha, feita há alguns anos, pode ser lida aqui.
   Ao longo da semana trarei mais desse universo tão vasto, e mais conteúdo será postado na página do Facebook do blog (já curtiu?).

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

De volta pra estante #82: Macbeth.

#82 - Macbeth

 

Nome: Hamlet | Rei Lear | Macbeth

Autor: Shakespeare.

Editora: Clássicos Abril Coleções.

Comprar: Leitura (3 em 1) – SubmarinoSaraiva.

 

  Assim como as obras que a antecedem, essa peça é uma tragédia, e eu aprendi que não deveria me apegar a nenhum personagem. Ele estaria morto no final.

   O que mais me choca é que o autor não poupa ninguém. Esse, particularmente, foi um banho de sangue, devido à natureza violenta das mortes; as alucinações de alguns personagens sempre evocavam imagens perturbadoras.

   O enredo consiste em Macbeth lidar com a profecia de três bruxas, que dizem que ele seria rei. Para tal, ele assume que seu destino é matar o atual monarca e, mesmo quando pensa em mudar de ideia, é pressionado por sua mulher. A sede pelo poder e o medo da perseguição fazem-no ultrapassar cada vez mais os limites da sanidade.

   É muito interessante ver como Macbeth lida com a profecia; claro, na época elas eram levadas a sério, mas ao ter seu destino revelado é como se os meios justificassem os fins, e tudo conspiraria para que ele chegasse até lá – mas como é dito:

Não creia mais em falsas bruxas, que nos enganam com sentidos duplos. Cada palavra é dada ao nosso ouvido, mas traída se agimos com esperança (…)

   Claro que ele só descobre isso no fim de tudo.

   Devo dizer que essa não é minha obra favorita de Shakespeare, mas não deixarei Lady Macbeth pra trás. São várias as referências que lhe são feitas em filmes e outros livros, e ela foi a personagem mais constante (no sentido de que tinha uma personalidade forte, e não se transformou em outra).

   Pretendo encerrar minha carreira nas tragédias shakespearianas lendo Otelo, outro clássico muito citado mas, de acordo com as obras anteriores, eu posso ter certeza de pelo menos uma morte. ._.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

De volta pra estante #73: O Cão dos Baskervilles.

 

O Cão dos Baskervilles Nome: O Cão dos Baskervilles – uma aventura de Sherlock Holmes

Autor: Arthur Conan Doyle.

Editora: Nova Fronteira.

Comprar: SubmarinoSaraivaCultura.

“Quanto mais outré e grotesco é um incidente, mais cuidado merece a sua análise; e é exatamete aquele ponto que parece complicar um caso que, ao receber a reflexão e o tratamento científico adequados, vem mais provavelmente elucidá-lo.”

   Eu já conhecia as histórias de Sherlock Holmes: tenho Um Estudo em Vermelho e um outro livro de casos diversos. Neste ano procurei conhecer mais histórias do detetive, em parte por causa do filme, e também por causa da minissérie da BBC -  que é ÓTIMA, por sinal.

 

   A história se passa no séc. 19, e é narrada por Watson, amigo de Sherlock. Eu não gosto quando um segundo personagem é o narrador, mas este recurso permite reviravoltas interessantes e ainda traz ação. Lembro que quando as histórias de Hercule Poirot, o detetive belga criado po Agatha Christie, são contadas pelo capitão Hasthings o texto ficava com umas lacunas, pois nem sempre os amigos estavam juntos. Já Doyle faz Watson se envolver na investigação, ainda que os maiores detalhes só venham a tona por meio de Holmes.

   Ainda que tenha sido escrito há tanto tempo o livro não é cansativo; não há termos rebuscados, e as adaptações que o leitor tem que fazer dizem respeito somente ao cenário, que não nos é comum.

 

   O caso dos Baskervilles interessa bastante à Sherlock, quando apresentado por Dr. Mortimer, o médico da família: Charles Baskerville é encontrado morto no pântano próximo a sua casa, sem indícios aparentes da causa. De acordo com as investigações, ele morreu de infarto, por ler levado um grande susto e ter corrido mais do que seu coração aguentaria.

   O doutor procura auxílio porque acredita que a morte se deu por causa de uma lenda: um dos antigos Baskerville teria possuído o corpo de um enorme cachorro, tendo em mente ações diabólicas. Uma circunstância da morte que não foi divulgada foi a marca de enormes pegadas junto ao corpo – vistas pelo próprio Mortimer. Sherlock é contratado para desvendar a lenda, e garantir que o herdeiro, Henry Baskerville, possa habitar a casa que lhe pertence em segurança.

 

   Este não é um livro no qual podemos desvendar o mistério sozinhos: os detalhes vão sendo revelados aos poucos, e  a resposta completa só é conhecida quando Holmes a divulga. Isto, claro, não nos impede de criar suposições.

   O detetive tem traços irônicos que são imperdíveis! Adoro sua personalidade.

   Que tal aproveitar que o personagem de Doyle está tão em cima, com filmes e minisséries inspiradas, e conhecê-lo em sua forma original? Pretendo ler os outros romances o mais rápido possível!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

De volta pra estante #68: Lucíola.

LucíolaNome: Lucíola
Autor: José de Alencar.
Editora: Moderna.
Comprar: SubmarinoSaraivaFNAC.
Download: Domínio Público.
“—  Esse livro é uma mentira!
— Uma poética exageração. mas uma mentira,  não! Julgas impossível que uma mulher como Margarida ame?
— Talvez; porém nunca desta maneira ! disse indicando o livro.
— De que maneira?
— Dando-lhe o mesmo corpo que tantos outros tiveram. Que diferença haveria então entre o amor e o vício? Essa moça não sentia, quando se lançava nos braços de seu amante, que eram os sobejos da corrupção que lhe oferecia? Não temia que seus lábios naquele momento latejassem ainda com os beijos vendidos?

    José de Alencar me conquistou em “Senhora”. Logo me vi lendo mais um de seus livros, e não vou parar tão cedo! Lucíola veio primeiro que os demais porque uma amiga me emprestou.

 
   Diferente de seu antecessor, este romance é narrado em primeira pessoa, por Paulo Silva. Ele chega no Rio de Janeiro e, com a ajuda de seu amigo Sá, passa a frequentar bailes, espetáculos e tudo que envolve a sociedade carioca.
   Em sua chegada, ele corteja uma bela moça, que depois descobre ser uma cortesã (leia-se: prostituta). Ele não poderia imaginar tal ofício, por ter notado doçura, delicadeza e até inocência nos ares da desconhecida. Logo ele se vê apaixonado por Lúcia, apesar de todos dizerem que ela usa os homens por algum tempo, e logo os abandona.
   O relacionamento dos dois é conturbado – cheio de altos e baixos - , parte por causa da sociedade em que vivem; contraditoriamente, Paulo não é julgado por se relacionar com ela. O que acontece é que Lúcia era uma das “celebridades” das reuniões sociais, e com o relacionamento, passa a frequentá-las menos vezes. Vai entender…
   Além disso, a mulher luta contra si mesma em vários aspectos. Antes de conhecer Paulo ela vivia apenas para o prazer e, no máximo, a paixão. O amor, puro e sublime, só vem com ele. A alma luta com os vícios do corpo.

   Na época em que foi escrito, a publicação se deu por meio de folhetins – um capítulo solto por vez. Para garantir que os leitores continuassem acompanhando, todo capítulo tem uma ação importante para a história, deixando a monotonia de lado. Porém,  tem que ter paciência para aguentar as idas e voltas do romance entre Paulo e Lúcia. Me senti dentro de uma novela!
   Ah, e sabem aqueles livros totalmente quotaveis? Marquei várias citações nos ambos que li de Alencar. Passagens românticas, críticas literárias e sociais, devaneios…


   Vão lá, pessoas! Esqueçam que é um clássico, que é brasileiro, e se joguem de mente aberta! Mas comecem por Senhora, que ainda é o meu preferido!
   O próximo a ser lido, segundo meus planos, é Diva (que completa a trilogia de obras que traçam perfis de mulheres. HÁ! Quem disse que não haviam séries no passado?).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

De volta pra estante #59: Senhora.

# - Senhora Nome: Senhora
Autor: José de Alencar.
Editora: Moderna.
Comprar: SubmarinoSaraivaFnac
Download: Domínio Público.
"Aurélia tinha em suas relações com o marido, especialmente nos instantes de animação, gestos e atitudes de uma grande expressão dramática. Esses movimentos naturais não eram senão acenos das paixões e sentimentos de sua alma; pareciam artísticos porque revestiam-se de uma suprema elegância."
   Eu queria ler José de Alencar há muito tempo. Depois da indicação de Rafael Gomes em “Tudo o que é sólido pode derreter”, tive uma luz para seguir, e comecei por Senhora.
   Claramente se trata de um clássico da literatura brasileira; ele foi escrito no período do Romantismo, em sua 3ª fase. Por isto é possível encontrar alguns traços do Realismo na obra de Alencar.
Aurélia e Scarlet: duas personagens clássicas incríveis! <3   A história é uma crítica social dos costumes da época em que foi escrita: em sua primeira parte mostra Aurélia, jovem rica e independente que circula pelos salões cercada de esplendor, e arrebatando corações. Sua descrição me lembrou muito uma outra personagem clássica: Scarlet O’hara, de E O Vento Levou: impetuosa, irônica, sedutora, manipuladora… Aurélia entrou pra lista das minhas personagens preferidas!
  Naquele tempo os casamentos eram muitas vezes vistos como negócios: o noivo recebia um dote da noiva, e se casava. A crítica a este costume é tão forte que as quatro partes do romance correspondem às etapas de uma negociação: Preço, Quitação, Posse e Resgate.
   A protagonista se vê então na situação de poder escolher o marido que quiser. Todos os homens da corte se lançam a seus pés; para se entreter (e também desdenhar da sociedade que a desprezou quando pobre), ela atribui a cada um determinado “preço de mercado”, que varia de acordo com os agrados que eles lhe fazem ou não. Tipo uma bolsa de valores de pretendentes!
   Por isto, a surpresa de todos é imensa quando ela escolhe se casar com um homem que mal era visto nos círculos que frequentava, e não era um dos que se lançavam a seus pés; todos dizem que ela é muito para ele. O que não imaginam são os planos de Aurélia, que precisam de Fernando Seixas, e apenas dele, para se realizarem.
   Eu AMEI o livro. O nível de afeição é próximo a Dom Casmurro, na categoria de clássicos brasileiros. A personagem principal é INCRÍVEL, em todos os sentidos. Fernando Seixas é um cara que é difícil de gostar, mas depois que a gente entende passa a simpatizar mais. O texto é afiado, cheio de sutilezas – que poderiam passar despercebidas, se não fosse pelas notas da edição.
   José de Alencar é um gênio, e me ganhou. Próximas leituras: Diva e Lucíola! :D

PS.: Eu não sabia o drama que eram os fins de período, até estar em um. Muitos trabalhos, provas, etc… Por isso o ritmo mais lento por aqui. ._.

domingo, 15 de janeiro de 2012

De volta pra estante #44: Hamlet.

“É uma felicidade da loucura, algumas vezes, felicidade que a razão e o bom senso não alcançam com a mesma facilidade.”
Hamlet 
Nome: Hamlet
Autor: Shakespeare
Sinopse: Em “Hamlet”, Cláudio sobe ao trono da Dinamarca, por ocasião da morte do rei que era seu irmão, e se casa com Gertrudes, a rainha viúva. Hamlet, o jovem príncipe, mergulha em profunda depressão. Uma noite, o espectro do pai aparece diante do rapaz para revelar que Cláudio o matou para assumir a coroa e exige vingança. Hamlet passa então a fingir que está louco para que o tio não desconfie de suas verdadeiras intenções.
Editora: Saraiva de Bolso
Comprar: Saraiva. Outras versões: SaraivaSubmarinoCultura
   Shekespeare é um autor com certo grau de dificuldade de leitura, tanto que já havia começado a leitura de Hamlet anteriormente, e desisti. Com o tempo veio a maturidade e a vontade de me aprofundar na obra deste tão aclamado autor inglês.
   Por que tanta insistência? Primeiro, que não desisto fácil: me dói ver um livro que eu tenha começado, e não terminado, na estante. Segundo, que graça teria a vida sem desafios? Uma hora eu iria voltar a encontrar Shakie e suas peças cheias de metáforas. Quando antes eu conseguisse superá-lo, melhor. E por último, eu descobri uma paixão no fim do ano passado: a Filosofia. E a dialética de Hamlet é repleta disto.
   O enredo eu já conhecia; Pedro Bandeira, um ídolo da minha adolescência, escreveu uma adaptação, chamada “Agora Estou Sozinha…”, que eu tinha lido. Hamlet é príncipe da Dinamarca, e seu pai está morto há alguns meses. Sua mãe está casada com seu tio, e ele se vê perturbado por esta reviravolta no cenário real.
   No mais tardar da noite, alguns guardas se deparam com um Espectro em trajes finos, e alguns deles, que conheciam Hamlet, resolvem chamar o príncipe para ir ter com a figura, que não é ninguém menos que seu pai, clamando por vingança: ele havia sido assassinado por seu irmão (o atual rei), e só encontraria paz quando o verdadeiro responsável fosse punido. Inflamado, Hamlet se compromete a dar descanço à alma de seu pai.
   Para suportar a situação em que se encontra, Hamlet começa a refletir em voz alta, floreando a verdade e dando indiretas sempre que tem oportunidade. Suas ações passam a ser tomadas como loucura, o que preocupa sua mãe e propicia ao tio a chance de se ver livre desta pedra no sapato. Teria Hamlet uma inteligência maluca ou uma loucura sábia?* Nos seus acessos é que se dão as mais brilhantes observações do livro; é quando ele se desprende de seu mundo e fala envolto por brumas imaginárias, nas quais ele se sente livre para expressar suas impressões – ainda que por meio de enigmas. E o que o filosofar, senão este livre pensar?
   Uma vantagem em ler clássicos é o entendimento de outros textos que se basearam nestes. Quantas vezes não escutamos a frase “Ser ou não ser… Eis a questão.”? E por que algumas representações trazem Shakespeare com um crânio nas mãos? Está tudo aqui, nesta peça.

   Um último comentário, sobre a minha versão: só eu que não gostei desta série de capas produzidas pela Saraiva de Bolso? Este livro até que está mais aceitável, mas as caricaturas de outros autores ficaram de gosto duvidoso…

*Este trecho é um intertexto com o livro “Quando Nietzsche Chorou”, de Irvin D. Yalom ( Editora Ediouro, pág. 118).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

De volta pra estante #39: Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Talvez espante o leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto.

   Desde que li Dom Casmurro e o conto A Cartomante, fiquei louca para ler Memórias Póstumas. Tava até na minha lista de desejados! Mas, infelizmente, a professora de Português passou o filme homônimo na sala, e fui forçada a vê-lo. Ainda assim, a binha abiga Izabella me emprestou pra ler! Brigada, Begô!

   Ainda que eu já conhecesse a história, isto não me impediu nem um pouco de apreciar a leitura. Tudo bem que, em alguns momentos, poderia ter sido surpreendida pelos fatos, mas o filme não tirou toda a graça do livro.


Nome: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Sinopse: É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis.
Editora: várias, mas a edição que eu li era do Estadão.
Comprar: SubmarinoSaraiva - Cultura
Download
: Domínio Público 

   Um dos pontos altos do livro é justamente o que retrata a quote que abre o post: o defunto autor não tem papas na língua; vai nos narrando sua história, ressaltando um fato aqui, omitindo outro lá… E tendo momentos de compreensão que não lhe foram permitidos em vida.

   Assim como no livro “Os 13 Porquês” (tá, os dois não têm comparação, mas não pude deixar de comentar), o personagem principal está morto. Do lado de lá ele narra o livro como se estivesse conversando conosco, nos chamando para o texto; prevê nossas reações frente aos fatos e tenta se justificar, ou explicar melhor. Esta característica de Machado de Assis, presente também em outras obras, é o que me conquista: eu faço parte do livro. Olha lá, ele escreveu sabendo que eu ia lê-lo! –q

   Brás nasceu de uma família ‘bem de vida’ no Rio de Janeiro do século XIX. Quando criança aprontou as “diabruras” que lhes eram permitidas, e o único fato que é realçado nesta época é um episódio em 1814, quando ele se vingou de uma visita que o aborreceu. Criança é criança, né… Na escola aprendeu a ler e escrever, sempre com a sombra da palmatória pairando sobre sua cabeça.
Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que eu forcejava por trazer a bigode. Os olhos, vivos e resolutos, eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como ostentasse certa arrogância, não se distinguia bem se era uma criança com fumos de homem, se um homem com ares de menino.
   O livro pode até ter sido escrito em um século passado, mas veja como ele tem traços que permanecem! Vamos combinar que tem muito menino por aí que se encaixa nesse retrato – principalmente na parte de forcejar o bigode! ^-^

   Este trecho precede a narração da primeira aventura amorosa de Brás. Ele, jovem e deslumbrado, conhece e se enamora pela mercenária “linda Marcela”. A mulher é muito mais esperta que ele, e vai enganando-o indefinidamente. Um brinco aqui, um colar ali… E assim o ‘amor’ deles era construído. Se nos dias de hoje o problema de algumas famílias é o endividamento por causa das drogas dos filhos, na casa de Cubas o problema foi os gastos destinados à Marcela, e ele teve que ser levado à força para a rehab para a Universidade de Coimbra, em Portugal. Lá, obteve conhecimentos suficientes para manter uma conversa, e o resto de seu tempo foi dedicado à boemia. Ainda assim, se formou com louvor. Seu tour pela Europa teve que ser interrompido porque sua mãe, enferma, corria o risco de morrer sem rever seu filho. Voltando ao Brasil, então, Brás frequenta a sociedade aristocrática de seu tempo, com relacionamentos conturbados. Claro que este aspecto é mais realçado por seu crítico expositor.

   Não dá pra se discutir spoilers no livro; os primeiros capítulos são sobre as circunstância da morte do autor, e um pouco do que é mostrado vai sendo explicado. Por isto, conhecemos alguns personagens já no fim da vida dele, e que vão reaparecendo depois, nos primeiro encontros. Por isto é que vou me adiantar um pouco e contar sobre Virgília: quando sua mãe morreu, Brás ficou desolado. Depois do tempo de luto necessário, seu pai lhe arranjou um casamento e um cargo político, e o filho, que estava no campo, só precisava ir à cidade e aceitá-lo. Talvez tenha sido a demora do mesmo, que estava se recuperando pela perda, que ele não alcançou seu intento. Mesmo se tornando íntimo de Virgília e sua família, Cubas a perdeu para Lobo Neves – que, de quebra, pegou também seu cargo político.

   Bom, vou deixar que os interessados leiam o livro e avancem na leitura que, a partir daí, deslancha. Recomendo mais uma vez as obras de Machado, que são interessantíssimas e muito bem construídas. Não é a toa que ele é tão discutido até hoje, coisa que não é comum a tantos escritores.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

De volta pra estante #27: O Morro dos Ventos Uivantes.

Não te desejo torturas maiores do que as que sofro, Heathcliff. Desejo apenas que não nos separemos jamais. Se a lembrança de minhas palavras deverá desolar-te mais tarde, pensa que debaixo da terra sentirei a mesma desolação e por amor de mim, perdoa-me!

   Este livro eu comprei pra minha mãe, mas sabem como é, com intenções de ler! Depois de tantos livros contemporâneos, resolvi mergulhar em um romance do século 19, que eu sabia que me transportaria para outra realidade, muito mais do que os que eu li recentemente.



Nome: O Morro dos Ventos Uivantes
Autora: Emily Brontë
Sinopse: Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. "Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff", diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais belas de todos os tempos, O morro dos ventos uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas.
Editora: Martin Claret

   O livro é narrado principalmente por Sr. Lockwood, um jovem que aluga uma casa em certa parte da Inglaterra. Seu inquilino é Sr. Heathcliff, um homem já de meia idade, rabugento e de modos grosseiros. Lockwood, ao se instalar em Thrushcross Grange, resolve ir visitar o inquilino e único vizinho, pretendendo estabelecer relações cordiais com este. Ele não é muito bem recebido, nem pelo dono das casas, nem por seus parentes e criados. A primeira impressão que ficou não foi muito boa.
   Lockwood é se considera antissocial. Ao ter com Heathcliff, se sente sociável, devido à diferença de modos entre eles. Por isto que, mesmo sendo mal recebido, resolve voltar às instalações de seus inquilino, que tem por nome Wuthering Heights - que foi traduzido por Morro dos Ventos Uivantes.
   Nesta nova visita ele é mais infeliz: ao cair da noite a neve vem, cobrindo os caminhos e impedindo-o de ver possíveis buracos e/ou outro perigo na estrada. Nenhum dos criados podem acompanhá-lo, e com muita resistência consegue ser hospedado em Ventos Uivantes. O quarto que lhe é destinado pertenceu à uma jovem já falecida. Ele consegue ver inscrições do nome dela em pontos do rebordo da janela, e é curioso: o nome Catarina vem seguidos de diferentes sobrenomes - como se fossem diferentes nomes de casada, que ela sonhava em ter. Fuçando no quarto mais um pouco, achou um diário que pertencia a esta jovem, e leu alguns trechos. O nome de Heathcliff estava presente.
   Lockwood tem um pesadelo com os personagens deste diário, e faz um escândalo tão grande que Heathcliff se levanta para ver o que está acontecendo. Ao explicar o que ocorreu, o hóspede deixa escapar o nome de Catarina, levando o outro a ficar seriamente afetado. Enfim, depois desta confusão, Lockwood resolve se despedir da casa e desiste de se distrair em sociedade novamente.
   Ao chegar em casa, ele chama sua criada, Sra. Dean, para pedir informações da casa que acabou de deixar. Ela, então, se mostra a fonte da história de amor que o livro se propõe a falar. Helena Dean era amiga de Catarina e Heathcliff, e cresceu com eles. Passou a vida inteira servindo ora um, ora outro, e sabe muito bem de tudo que aconteceu, desde as páginas daquele diário, até os dias atuais.
   Vi então que o livro era muito diferente mesmo. Nunca pensei que a tal história de amor seria narrada por outra pessoa,  e devo corrigir isto: não é apenas uma história de amor; é um texto que se aprofunda nas personalidades humanas, desmistificando aquele papo de pessoa boazinha, pessoa malvada; todos temos os dois aspectos, e fatores externos fazem com que um ou outro se sobressaiam.
   Gosto deste tipo de leitura porque mostram aspectos da sociedade de outro lugar em outra época, mas sem quererem ser registros históricos. Imaginem só: Helena Dean era criada em Morro dos Ventos Uivantes; quando Catarina se casou, ela seguiu a patroa até Thrushcross Grange. Depois, voltou ao Morro, e a encontramos em Thrushcross. Ela não tinha lar, vivia para servir os outros, e isto era algo normal e aceitável. Outra coisa era como a pessoa era tratada quando estava doente: as sangrias ainda eram praticadas, e o tempo de vida era contado de acordo com as primaveras. Exemplo: fulano não chega à próxima primavera.
   A consciência de morte estava sempre presente. Não viviam como se fossem viver para sempre, mas sabiam que cada gripe poderia ser fatal, por causa dos invernos rigorosos. Isto aproximava as pessoas e não deixavam palavras não ditas.
   Tenho críticas para minha versão do livro: a tradução não é muito boa ; se traduziram Wuthering Heights, porque não traduzir Thrushcross Grange? O pior é que certos momentos os personagens se referem à Granja, e demorei pra lembrar de Thrushcross Grange. E tem uns trechos em branco do livro, que eu não se é erro de digitação, ou erro de impressão - o que é triste, pois podem ter omitido pedaços do livro...
   E, desculpa, Emily, mas prefiro Jane Austen, de longe!
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

De volta pra estante #6: Orgulho e Preconceito.

“ – Estas são as palavras mais severas – disse Elizabeth – que já ouvi de você. Boa menina!”

Acabei de ler “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, e devo dizer que estou sem palavras. Me envolvi tanto na história que não esperava que ela tivesse um final. Porém, tudo que é bom um dia acaba...

Nome: Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice).
Autora: Jane Austen.
Editora: Martin Claret (existem outras publicações, no entanto).
Comprar: Saraiva - Submarino - FNAC

   Demorei um pouco pra ler, mas não tem importância. Este livro tem que ser lido calmamente, saboreando as palavras, os lugares e os personagens; cada capítulo se mostrou mais fascinante e envolvente. No final estava tão entretida que queria que continuasse. É tudo muito cativante.

   Vamos à história: a família Bennet é constituída pelo sr. Bennet, um homem crítico, cínico, mas de bom coração, que se entretém com a ignorância de alguns membros da família; pela Sra. Bennet, que é uma senhora resmungona, fútil, frívola, e interesseira; pelas filhas do casal, Jane, uma moça muito bondosa, que é incapaz de pensar mal de alguém, e sempre tem uma explicação para justificar os maus atos das pessoas. Tem uma beleza notável; Elizabeth, a mais inteligente e bem educada entre as filhas, com um Q de beleza; Mary, que, sendo a do meio, tenta se sobrepor às irmãs estudando muito. A menina vive lendo e estudando música, e adora bancar a culta, mesmo falando bobeiras; Catherine, chamada de Kitty, e Lydia, que não são gêmeas mas são muito parecidas: Lydia é toda espevitada, e o retrato da própria mãe quando esta era mais jovem, e Kitty acaba por se deixar influenciar pela irmã mais nova.
   A trama se passa no interior da Inglaterra, e a família e todos seus contatos são todos bem descritos e ambientados, de forma que o leitor passa a se sentir parte de tudo aquilo. A maior preocupação de todos é arrumar maridos para as filhas, sendo que este deve ter uma soma considerável, para trazer regalias à família. Assim, todos na região ficam animados quando um certo jovem, o sr. Bingley, aluga uma das mansões para passar uma temporada. As fofocas logo passam a correr, e assim todos ficam sabendo que ele tem uma boa renda, e o melhor, está solteiro. Ele vem acompanhado por seu grande amigo. sr. Darcy, e pelas irmãs, uma delas com o marido.
   Em um baile, um evento social comum pra época, ele conhece a Srta. Bennet mais velha, Jane, e o interesse parece ser mútuo. Já seu amigo fica o baile inteiro sem tentar estabelecer relações com ninguém, o que lhe dá fama de orgulhoso. Elizabeth até tenta se aproximar dele, mas os comentários que ele faz a respeito dela logo fazem-na desgostar de sua pessoa rapidamente.
   A história vai correndo, e as surpresas vão aparecendo: Elizabeth recebe uma proposta de casamento um tanto quanto inusitada, a Sra. Bennet faz uso de alguns estratagemas para tentar casar as filhas…

   A leitura, mesmo com a linguagem trabalhada, flui bem. Tem-se passagens de sutis ironias que dão leveza à história, e os personagens são tão bem estruturados que eu não duvidaria se me dissessem que foram pessoas reais. Achei um pouco estranho que Jane Austen colocasse em seu texto um personagem com seu nome; todavia acredito que as personalidades sejam diferentes. Jane Bennet é bem inocente, ingênua, pra não falar bobinha. Deve ser um álter ego de Jane Austen… Pois, se fosse escolher ser alguém, preferiria ser Lizzy Bennet.

Depois de leituras, releituras, assistir à adaptações, declaro o livro um dos melhores que já li!

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