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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Releituras cinematográficas.

   Claro que o cinema e a tevê não iriam ficar de fora das releituras da obra. Pra começar, temos O Diário de Bridget Jones (2001): é a adaptação do livro que também remete à O&P. O melhor dessa história, sem dúvida, é ver Colin Firth interpretando Mark Darcy, uma vez que ele também teve esse papel na minissérie de 1995.

Bridget Jones

   Elementos sutis foram acrescentado ao filme: o lugar onde Daniel “Wickham” Cleaver e Bridget trabalham se chama… Pemberly Press (que faria mais sentido se fosse o nome do escritório de Mark, mas ok):

Pemberly Press - Bridget Jones

 

Bride and Prejudice.

   Um musical bollywoodiano nos dias atuais! Em uma sociedade tradicionalista, muitos dos valores prezados por Jane Austen ainda vigoram, como o frenesi das mães em achar um marido pras filhas, a cortesia feita pelo noivo, etc.

   O plot é o básico de O&P; o nome das personagens foi alterado para ficar verossímil com a cultura (Lizzy = Lalita, Jane = Jaya , Charles = Balraj, Caroline = Kiran, etc). O acréscimo desta história é que Mr. Darcy (cujo nome foi mantido) é um estadunidense totalmente alheio às culturas indianas, e chega justamente em um casamento. Suas ideias sobre o país e seus costumes logo são postos à prova por Lalita, em vários debates inteligentes que remetem à economia global.

   É tão divertido! Logo no começo os convidados do casamento que estão solteiros fazem uma apresentação para se provocarem, e dá vontade de sair dançando pela sala! Recomendo “No life without wife”, não vai sair da sua cabeça tão cedo…

   Além dos atores indianos, temos Naveen Andrews (Balraj Bingley – conhecido por Sayid em Lost), Daniel Gillies (Johnny Wickham – conhecido por Elijah em The Vampire Diaries) e Alexis Blendel (Georgie Darcy – conhecida por Rory Gilmore em Gilmore Girls).

 

Lost in Austen.  Amanda Price faz frequentes visitas à O&P, desde seus 12 anos. Mesmo vivendo na Londres moderna, com um emprego, namorado e amigos, não deixa de pensar na antiga Hertfordshire. Eis que, certa noite, ela se depara com Elizabeth no seu banheiro, e atravessa um portal para a casa dos Bennet. Amanda se encontra bem no começo da história e, ao mesmo tempo em que curte o sonho, tem que fazer o possível para manter o enredo na linha.

   Impossível não se identificar com a personagem! Logo no primeiro capítulo ela faz uma declaração muito bonita sobre o que a história representa (aos 5:48 do primeiro episódio, que você pode assistir aqui). E como se portar cara-a-cara com o verdadeiro Mr. Darcy? E aguentar a Mrs. Bennet…

   Além de recriar o livro, os produtores acrescentaram e/ou alteraram alguns detalhes. O melhor deles, sem dúvida, foi a reinvenção do Wickham.

Wickham, você é um babaca, mas um babaca certo na hora certa!

 

The Lizzie Bennet Diaries!  Essa Lizzie é, por enquanto, a mais moderna de todas! Aos 20 e poucos anos, ela resolveu começar um vlog para um projeto de faculdade. Duas vezes por semana, ela posta os vídeos contando sobre sua vida… e a de suas irmãs, Jane e Lydia, dos novos vizinhos, Bing Lee e Darcy, sempre com ajuda de sua melhor amiga, Charlotte Lu. São episódios curtos, entre 4 e 6 minutos, e muito bem escritos! Ela ainda não foi finalizada, . Alguns episódios já foram legendados em português aqui, e alguns dos postados no canal original têm legendas em inglês. Podemos ver pontos de vista de outros personagens, como Lydia, que criou seu próprio (e polêmico) vlog, e Maria Lu, irmã de Charlotte.

 

   E chegamos ao fim do especial! Foi ótimo mergulhar nesse mundo novamente, e cada visita traz uma informação nova. O livro gerou bastante material de qualidade para aproveitarmos, e não acredito que ele morrerá tão cedo!

 

5º dia!

 

Acompanhe as postagens do especial!

1º dia: O início.

2º dia: Livros no Brasil.

3º dia: Adaptações literárias.

4º dia: Adaptações cinematográficas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Adaptações cinematográficas.

Versão de 1940, a primeira!    Dirigido por Aldous Huxley (autor de Admirável Mundo Novo), a primeira adaptação teve lugar em Hollywood – que desde então já fazia seus filmes para agradar o mercado, com fórmulas pré-fabricadas; digo isso porque foram alterados pontos críticos no livro, como o comportamento do Mr. Darcy: ele tem sua pose distante e arrogante, mas logo passa para o romântico charmoso. O galã da época, Lawrence Oliver, ficou um pouco almofadinha demais. Outra mudança, que talvez tenha influenciado em todas as outras, foi a ausência de personagens como Mr. e Mrs. Hurst (cunhado e irmã de Blingley), e a irmã de Charlotte, Maria.

   Certas partes do enredo foram destacadas mais que as outras, como a fuga de Lydia e cenas de conversa entre os personagens. Em alguns momentos acabava que acontecimentos inteiros ficaram resumidos na fala de alguém. Mr Darcy très simpa, muito solícito... ._.

   Apesar da infidelidade ao romance (e também à época em que ele se passa: os belos vestidos armados não condizem com a moda do séc. XIX), vale muito a pena pelo valor histórico da obra. Assisti sua versão preto e branco, e senti um ar saudosista ao reparar na tecnologia dos cinemas de então, e a forma quase caricata das interpretações dos atores.

Disponível para compra aqui, aqui ou aqui.

Versão de 1995, da BBC.       A BBC faz um ótimo trabalho com adaptações clássicas, e O&P tem três produzidas pelo canal: de 1967, de 1980 e a de 1995, mais conhecida, que consagrou Colin Firth no coração das espectadoras.

   A equipe leva a palavra “adaptação” a sério: o livro foi reproduzido com fidelidade nos seis episódios. Além disso, os acontecimentos foram contextualizados no cotidiano dos personagens: Charlotte chega para falar com Lizzy enquanto ela está bordando almofadas. Uma não está de prontidão para a outra, e fica mais autêntico, como se fosse real. Além da história, temos mais contato com os hábitos da época.

   O box está à venda no Brasil e conta com muitos making offs, como a da emblemática cena do lago.

   Compre aqui, aqui ou aqui!

Filme de 2005, o queridinho!

   A versão mais recente e queridinha trouxe Keira Knight no papel principal, o que teve muito peso no marketing do filme: o restante do elenco não tinha tanta visibilidade na mídia até então. Joe Wright se propôs a fazer uma adaptação mais fiel possível, cuidando da fotografia, trilha sonora, figurino… O resultado foi incrível! Em duas horas de filme, passaram toda a ideia do romance original.

   Quem era fã de O&P antes e já conhecia a minissérie da BBC tem muitas críticas pro filme, mas é inegável que a cada releitura mais pessoas são atingidas. Nem é possível dizer qual é melhor, pois são propostas diferentes! Cada uma com seus (muitos) méritos.

   Compre aqui, aqui ou nas lojas físicas da Americanas! E, caso encontre, invista no CD da trilha sonora. ♥

 

4º dia!

Acompanhe as postagens do especial!

1º dia: O início.

2º dia: Livros no Brasil.

3º dia: Adaptações literárias.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Adaptações literárias.

   Não foram poucas as vezes em que não gostei de releituras de clássicos; na maior parte do tempo, eu pensava que estavam violando a obra original. Amadureci e passei aceitar a liberdade criativa de cada autor (até porque eu não sou obrigada a ler tudo que está no mercado), e comecei a gostar dessa diversidade. Afinal, pra quem é fã, quando mais, melhor!
   Orgulho e Preconceito já foi base para muitas outras obras. O Goodreads (site semelhante ao Skoob, só que em Inglês) lista 189 obras como sequências, adaptações ou spin-offs. Destaques para:

Autora de Lonely Hearts Club, muito fofo! Prom & Prejudice, Elizabeth Euberg: adaptação do original, colocando os personagens principais como estudantes do Ensino Médio. Lizzie é uma bolsista na elitista Academia Longbourn, e sofre retaliações por causa disso. Seus únicos confortos são Jane, sua colega de quarto, e Charlotte, outra bolsista. Longbourn é para meninas, e Pemberly, para meninos.
   No começo do livro, alguns alunos chegam de um intercâmbio na Inglaterra – entre eles, Charles Bingley, muito amigo de Jane, e Will Darcy, seu inseparável companheiro.
   O plot é bem semelhante ao original, e ao invés do casamento, o ponto alto na vida das moças é o baile, onde desfilam caríssimos vestidos e recebem toda atenção da imprensa.
“É uma verdade universalmente conhecia que uma garota solteira de grande reputação deve estar procurando um parceiro para o baile.” (tradução livre)

Não, não conta da ~saudável~ vida sexual de Lizzie e Darcy. 50 Tons do Sr. Darcy, Emma Thomas. Uma pausa para você notar o trocadilho com o nome da autora, que na verdade é um pseudônimo. O livro mais falado da atualidade e um dos clássicos mais lidos no mundo se fundem nessa paródia, que traz a ironia austeniana e os hábitos sexuais já explorados em 50 Tons de Cinza. Provavelmente não agradará os fãs mais xiitas do romance, uma vez que a maior preocupação da Sra. Bennet passa a ser tirar a virgindade das filhas, Sr. Bennet não tem voz nenhuma e o sexo é colocado sempre que possível. Por outro lado, as críticas feitas à ambas as obras são muito divertidas!
“É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro de posse de um belo chicote de equitação deseja um belo par de nádegas nuas para espancar.”

A "bíblia" do chick-lit, baseada em sua precursora! O Diário de Bridget Jones, Helen Fielding. Bridget é solteira, tem por volta de 30 anos, quer abandonar vícios e levar uma vida saudável, de preferência do lado do seu grande amor. Se você não conhece o livro, nem o filme estrelado por Renée Zellweger, Colin Firth e Hugh Grant, com certeza tem alguma conhecida que se encaixa nesse perfil. Este chick-lit resgata alguns elementos de Orgulho e Preconceito: Mark Darcy, o chato de galochas com quem Bridget tem várias brigas antes de engatar um relacionamento; Daniel Cleaver, chefe cara-de-pau e que tem problemas no passado que envolvem Mark; a mãe louca, desesperada para vê-la casada, etc. O enredo é mais independente, mas uma vez que Jane Austen é considerada percursora do chick-lit, nota-se um paralelo entre as obras.

Só gostaria de saber o final. Será que termina com todos bem e vivos? Orgulho e Preconceito e Zumbis, Seth Grahame-Smith. A obra que já conhecemos, marcada por aparições aleatórias de mortos-vivos. Por mais resistência que tive em aceitar a existência desse livro, não dá pra negar que as cenas de combate são muito bem descritas! Afinal, não basta contar como um zumbi abriu o crânio da vítima com as mãos – tem que fazer o leitor sentir repulsa. Leia os primeiros capítulos aqui.
"É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."

   Temos obras para todos os gostos! É possível inclusive convencer pessoas a lerem Jane Austen por meios indiretos – recomendando as adaptações primeiro.
   E pra quem se sente desamparado com o fim do livro, alguns autores se prestam a escrever continuações, como Morte em Pemberley, de P. D. James, a ser publicado pela editora Cia. das Letras em Março.

2º dia!
Acompanhe as postagens do especial!
1º dia: O início.
2º dia: Livros no Brasil.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Livros no Brasil.

  Todos os clássicos estão disponíveis em domínio público – ou seja, podem ser reproduzidos livremente por qualquer pessoa, sem prestar contas ao autor ou editora. Caso você tenha resolvido comprar seu livro, aqui estão listadas as principais versões disponíveis no país.
   É possível encontrar várias edições, para todos os gostos e bolsos. Eu recomendo que optem por uma de qualidade, pra você sempre ter do seu lado e não se preocupar com folhas soltando, capa amassada, etc.

Com o Matthew Macfadyen na capa. #sos “Orgulho e Preconceito – Versão de Luxo”
Editora Landmark
Compare preços!
   Essa edição tem capa dura e é bilíngue. Nas livrarias físicas ele pode chegar a R$40, mas já esteve a R$22 nas Lojas Americanas online. É uma das minhas versões preferidas no mercado (e a capa é um dos motivos).






3 em 1! “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão”
Editora Martin Claret
Compare preços!
   O maior bônus dessa versão é que vem com mais dois ótimos livros da Jane Austen. Um contra é o tamanho da letra. Se não se incomodar, aposte nesse volume! Gosto muito da capa e das orelhas dele, que juntas formam uma imagem da autora.
   A editora também tem a versão pocket e recentemente relançou toda a coleção de livros de Austen, que só receberam elogios – desde o texto até o cuidado gráfico.

 Versão Abril Coleções
“Orgulho e Preconceito”
Como já comentei nesse post, essa edição é muito amor! Capa dura, forrada, ótima diagramação e no final tem material bônus sobre a autora e a obra. Se você tiver muita sorte, pode encontrá-la em bancas de revista ou nas livrarias Leitura (loja física; a virtual já não tem em estoque). Tem na Estante Virtual – filtre os resultados com Editora: Abril e Ano: 2010.




    Nas versões de bolso temos outras opções:
Pockets variados
   A Penguin – Cia das Letras apresenta mais de cem páginas de introdução e prefácio, e acrescentou várias notas para contextualizar a história – o que é incrível: além do enredo, você absorve melhor os costumes da época. Compare preços!
   A L & PM Pocket e a Saraiva se propõem a trazer bons livros à preços acessíveis. Compare aqui o primeiro, e o segundo está disponível aqui.
   Agora não tem porquê não ter o livro! É só escolher.

2º dia!
Acompanhe as postagens do especial!
1º dia: O início.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – O início.

Que comecem as celebrações!   É uma verdade universalmente conhecida que um livro, no seu bicentenário, merece todas as comemorações possíveis. Quando ele é o seu preferido, não se é possível deixar a data passar em branco!
   Para celebrar, preparei vários posts que retratam uma parte de tudo que foi explorado pela mídia e mercado editorial nesses 200 anos. Para começar, vamos às origens!
  
   Depois de uma temporada com a família de seu irmão, em 1796, Jane Austen escreveu First Impressions – que foi rejeitado pelo editor, a princípio. Isso levou à uma revisão do material: o nome foi alterado, tanto para evitar confusão com os livros que já tinham esse título, quanto para remeter ao sucesso anterior, “Razão e Sensibilidade”.
   Em 27 de janeiro de 1713, a primeira edição de Orgulho e Preconceito, publicada em três volumes de capa dura, chegava nas bancas; as avaliações positivas e bom recebimento pelo público fizeram com que no mesmo ano houve uma segunda tiragem.
   A primeira tradução aconteceu ainda em 1713, para o francês, e em seguida para o alemão, dinamarquês e sueco. No Brasil, teve sua primeira versão publicada pela editora José Olympio em 1940.Jane assinava seus livros com "a Lady"
   Quando a mim, comecei pelo filme – estava passando os canais e ele estava para começar. Como não tinha nada mais pra fazer, parei para ver o que seria o filme mais assistido na minha vida. Logo quando soube que era uma adaptação, corri pra comprar o livro. Me arrependo de ter trocado meu primeiro volume, por seu valor emocional, mas ele já foi devidamente reposto. A resenha, feita há alguns anos, pode ser lida aqui.
   Ao longo da semana trarei mais desse universo tão vasto, e mais conteúdo será postado na página do Facebook do blog (já curtiu?).
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