quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Adaptações literárias.

   Não foram poucas as vezes em que não gostei de releituras de clássicos; na maior parte do tempo, eu pensava que estavam violando a obra original. Amadureci e passei aceitar a liberdade criativa de cada autor (até porque eu não sou obrigada a ler tudo que está no mercado), e comecei a gostar dessa diversidade. Afinal, pra quem é fã, quando mais, melhor!
   Orgulho e Preconceito já foi base para muitas outras obras. O Goodreads (site semelhante ao Skoob, só que em Inglês) lista 189 obras como sequências, adaptações ou spin-offs. Destaques para:

Autora de Lonely Hearts Club, muito fofo! Prom & Prejudice, Elizabeth Euberg: adaptação do original, colocando os personagens principais como estudantes do Ensino Médio. Lizzie é uma bolsista na elitista Academia Longbourn, e sofre retaliações por causa disso. Seus únicos confortos são Jane, sua colega de quarto, e Charlotte, outra bolsista. Longbourn é para meninas, e Pemberly, para meninos.
   No começo do livro, alguns alunos chegam de um intercâmbio na Inglaterra – entre eles, Charles Bingley, muito amigo de Jane, e Will Darcy, seu inseparável companheiro.
   O plot é bem semelhante ao original, e ao invés do casamento, o ponto alto na vida das moças é o baile, onde desfilam caríssimos vestidos e recebem toda atenção da imprensa.
“É uma verdade universalmente conhecia que uma garota solteira de grande reputação deve estar procurando um parceiro para o baile.” (tradução livre)

Não, não conta da ~saudável~ vida sexual de Lizzie e Darcy. 50 Tons do Sr. Darcy, Emma Thomas. Uma pausa para você notar o trocadilho com o nome da autora, que na verdade é um pseudônimo. O livro mais falado da atualidade e um dos clássicos mais lidos no mundo se fundem nessa paródia, que traz a ironia austeniana e os hábitos sexuais já explorados em 50 Tons de Cinza. Provavelmente não agradará os fãs mais xiitas do romance, uma vez que a maior preocupação da Sra. Bennet passa a ser tirar a virgindade das filhas, Sr. Bennet não tem voz nenhuma e o sexo é colocado sempre que possível. Por outro lado, as críticas feitas à ambas as obras são muito divertidas!
“É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro de posse de um belo chicote de equitação deseja um belo par de nádegas nuas para espancar.”

A "bíblia" do chick-lit, baseada em sua precursora! O Diário de Bridget Jones, Helen Fielding. Bridget é solteira, tem por volta de 30 anos, quer abandonar vícios e levar uma vida saudável, de preferência do lado do seu grande amor. Se você não conhece o livro, nem o filme estrelado por Renée Zellweger, Colin Firth e Hugh Grant, com certeza tem alguma conhecida que se encaixa nesse perfil. Este chick-lit resgata alguns elementos de Orgulho e Preconceito: Mark Darcy, o chato de galochas com quem Bridget tem várias brigas antes de engatar um relacionamento; Daniel Cleaver, chefe cara-de-pau e que tem problemas no passado que envolvem Mark; a mãe louca, desesperada para vê-la casada, etc. O enredo é mais independente, mas uma vez que Jane Austen é considerada percursora do chick-lit, nota-se um paralelo entre as obras.

Só gostaria de saber o final. Será que termina com todos bem e vivos? Orgulho e Preconceito e Zumbis, Seth Grahame-Smith. A obra que já conhecemos, marcada por aparições aleatórias de mortos-vivos. Por mais resistência que tive em aceitar a existência desse livro, não dá pra negar que as cenas de combate são muito bem descritas! Afinal, não basta contar como um zumbi abriu o crânio da vítima com as mãos – tem que fazer o leitor sentir repulsa. Leia os primeiros capítulos aqui.
"É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."

   Temos obras para todos os gostos! É possível inclusive convencer pessoas a lerem Jane Austen por meios indiretos – recomendando as adaptações primeiro.
   E pra quem se sente desamparado com o fim do livro, alguns autores se prestam a escrever continuações, como Morte em Pemberley, de P. D. James, a ser publicado pela editora Cia. das Letras em Março.

2º dia!
Acompanhe as postagens do especial!
1º dia: O início.
2º dia: Livros no Brasil.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – Livros no Brasil.

  Todos os clássicos estão disponíveis em domínio público – ou seja, podem ser reproduzidos livremente por qualquer pessoa, sem prestar contas ao autor ou editora. Caso você tenha resolvido comprar seu livro, aqui estão listadas as principais versões disponíveis no país.
   É possível encontrar várias edições, para todos os gostos e bolsos. Eu recomendo que optem por uma de qualidade, pra você sempre ter do seu lado e não se preocupar com folhas soltando, capa amassada, etc.

Com o Matthew Macfadyen na capa. #sos “Orgulho e Preconceito – Versão de Luxo”
Editora Landmark
Compare preços!
   Essa edição tem capa dura e é bilíngue. Nas livrarias físicas ele pode chegar a R$40, mas já esteve a R$22 nas Lojas Americanas online. É uma das minhas versões preferidas no mercado (e a capa é um dos motivos).






3 em 1! “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão”
Editora Martin Claret
Compare preços!
   O maior bônus dessa versão é que vem com mais dois ótimos livros da Jane Austen. Um contra é o tamanho da letra. Se não se incomodar, aposte nesse volume! Gosto muito da capa e das orelhas dele, que juntas formam uma imagem da autora.
   A editora também tem a versão pocket e recentemente relançou toda a coleção de livros de Austen, que só receberam elogios – desde o texto até o cuidado gráfico.

 Versão Abril Coleções
“Orgulho e Preconceito”
Como já comentei nesse post, essa edição é muito amor! Capa dura, forrada, ótima diagramação e no final tem material bônus sobre a autora e a obra. Se você tiver muita sorte, pode encontrá-la em bancas de revista ou nas livrarias Leitura (loja física; a virtual já não tem em estoque). Tem na Estante Virtual – filtre os resultados com Editora: Abril e Ano: 2010.




    Nas versões de bolso temos outras opções:
Pockets variados
   A Penguin – Cia das Letras apresenta mais de cem páginas de introdução e prefácio, e acrescentou várias notas para contextualizar a história – o que é incrível: além do enredo, você absorve melhor os costumes da época. Compare preços!
   A L & PM Pocket e a Saraiva se propõem a trazer bons livros à preços acessíveis. Compare aqui o primeiro, e o segundo está disponível aqui.
   Agora não tem porquê não ter o livro! É só escolher.

2º dia!
Acompanhe as postagens do especial!
1º dia: O início.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Semana Orgulho e Preconceito – O início.

Que comecem as celebrações!   É uma verdade universalmente conhecida que um livro, no seu bicentenário, merece todas as comemorações possíveis. Quando ele é o seu preferido, não se é possível deixar a data passar em branco!
   Para celebrar, preparei vários posts que retratam uma parte de tudo que foi explorado pela mídia e mercado editorial nesses 200 anos. Para começar, vamos às origens!
  
   Depois de uma temporada com a família de seu irmão, em 1796, Jane Austen escreveu First Impressions – que foi rejeitado pelo editor, a princípio. Isso levou à uma revisão do material: o nome foi alterado, tanto para evitar confusão com os livros que já tinham esse título, quanto para remeter ao sucesso anterior, “Razão e Sensibilidade”.
   Em 27 de janeiro de 1713, a primeira edição de Orgulho e Preconceito, publicada em três volumes de capa dura, chegava nas bancas; as avaliações positivas e bom recebimento pelo público fizeram com que no mesmo ano houve uma segunda tiragem.
   A primeira tradução aconteceu ainda em 1713, para o francês, e em seguida para o alemão, dinamarquês e sueco. No Brasil, teve sua primeira versão publicada pela editora José Olympio em 1940.Jane assinava seus livros com "a Lady"
   Quando a mim, comecei pelo filme – estava passando os canais e ele estava para começar. Como não tinha nada mais pra fazer, parei para ver o que seria o filme mais assistido na minha vida. Logo quando soube que era uma adaptação, corri pra comprar o livro. Me arrependo de ter trocado meu primeiro volume, por seu valor emocional, mas ele já foi devidamente reposto. A resenha, feita há alguns anos, pode ser lida aqui.
   Ao longo da semana trarei mais desse universo tão vasto, e mais conteúdo será postado na página do Facebook do blog (já curtiu?).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Book Blogger Hop #36.

Novo-BBH    É fato que a cada dia surgem mais e mais blogs de livros no Brasil e tem muito blogueiro bom por aí que não é conhecido. Inspiradas pelo Book Blogger Hop que a Jennifer criou no Crazy For Books, e do qual participamos na versão em inglês do site, nós decidimos montar uma versão brasileira. A ideia é mostrar a diversidade de blogs literários que temos no Brasil—e conhecer um pouquinho mais dos blogueiros também.

– Murphy’s Library.

 

A pergunta dessa semana é:

Qual foi o último livro que te fez virar a noite lendo?
Eu tenho prezado meu sono ultimamente, então mesmo quando um livro está muito bom eu paro de ler pra ir dormir. Um que foi difícil de fazer isso foi Inner Circle, da Kate Brian. A escrita é bem leve e eu curto demais a série! Não conseguia achar um capítulo que terminasse de forma tranquila, então larguei no meio de um qualquer.

   O que você preza mais: uma noite de sono bem dormida ou uma boa leitura?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

De volta pra estante #83: Deuses Americanos.

# - Deuses Americanos

 

Nome: Deuses Americanos

Autor: Neil Gaiman.

Editora: Conrad.

Comprar: Submarino

“Você só chega à minha idade se sempre esperar pelo pior.”

 

   Sabe aquele autor que te prende no primeiro parágrafo? Ou aquele livro que, mesmo quando não está perto, não sai da sua cabeça?

   Já tinham me recomendado Deuses Americanos antes; numa conversa com um amigo, ele me lembrou que Neil Gaiman foi o responsável pelo roteiro de um dos melhores episódios de Doctor Who. Depois disso, parei de adiar e abri o livro. O que era pra ser algo superficial, apenas um primeiro contato, virou uma compra de 6 obras do autor.

   O melhor da história é ir revelando-a e se deixar surpreender; por isso, recomendo que passe para o próximo bloco e pule a parte sobre o enredo, a seguir.

 

   Shadow foi preso mas, devido ao seu bom comportamento, conseguiu uma condicional. Iria reencontrar a mulher três anos depois, trabalhar na academia do amigo, recomeçar. Ele acaba sendo liberado alguns dias mais cedo – e daí pra frente é uma sucessão de más notícias. No meio de tudo ele conhece Wednesday, que lhe oferece um emprego que é bom demais pra ser verdade.

— Mudanças estão vindo por aí — disse o búfalo, sem mover os lábios. — Há certas decisões que precisarão ser tomadas. (…) Acredite — disse a voz ribombante. — Se você sobreviver, precisa acreditar.
— Acreditar em quê? — perguntou Shadow. — Em que eu devo acreditar? (…)
— Em tudo — rugiu o homem-búfalo.

   A obra vai além da ficção, questionando a sociedade em suas prioridades, crenças e valores. É engraçado o que o autor coloca em sua advertência: “nem é preciso dizer que todas as personagens, vivas, mortas ou mortas-vivas, utilizadas nesta história, são fictícias ou foram usadas em um contexto fictício. Só os deuses são reais” – porque bem que poderiam ser. Conheço muitas pessoas que prestam culto ao cartão de crédito, à tevê…

   O melhor de tudo é o jeito de escrever de Gaiman. Ele descreve muito bem, criando a imagem na sua mente como se estivéssemos vendo um filme. É o que se espera quando autores criam seus próprios lugares e seres.

   Recomendo demais, só deixando uma ressalva: tem algumas cenas fortes! É voltado para o público adulto, mas se você for mais novo e tiver a cabeça aberta… Leia!

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