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terça-feira, 3 de setembro de 2013

De volta pra estante #99: Stardust – O mistério da estrela.

 

#98 - Stardust

 

Nome: Stardust – O Mistério da Estrela

Autor: Neil Gaiman.

Editora: Rocco.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

 

“(…) todo enamorado, no fundo do coração, é um enlouquecido, e, na cabeça, um menestrel.”

   Stardust é, até hoje, um dos meus filmes preferidos. Eu não sabia que tinha livro, e provavelmente não teria lido se não fosse do Neil Gaiman. :D

 

   Muralha é um povoado que está entre a Londres vitoriana e a Terra Encantada. Do outro lado do muro que dá passagem para a Terra Encantada acontece, a cada nove anos, uma feira de artigos mágicos – que é visitada por pessoas das mais diferentes localidades (sejam elas reais ou não). Esse é o principal momento de interação dos pacatos habitantes de Muralha com o resto do mundo.

   Tristan Thorn foi gerado em uma das edições desta feira, ainda que não saiba disto. Sua vida é como a de todos ao seu redor, a começar pela paixão pela bela Victoria Forester. Quando ele resolve se declarar, ela impõe uma condição: ele deveria trazer uma estrela, e daí ela lhe concederia o que ele desejasse.

   Por isso, o jovem parte para desbravar as terras encantadas e desconhecidas, descobrindo que tem um incrível senso de direção, e não estranhe as situações peculiares que surgem pelo caminho.

   A estrela caída veio parar na terra por conta da morte de um rei(e eu gostei muito de saber a relação entre os dois fatos, coisa que não havia percebido no filme). Os três herdeiros precisam encontrá-la e pegar a joia que ela carrega, pois isso lhes dariam o trono.

   Por fim, três bruxas desejam o coração da estrela, para que possam recuperar sua vitalidade e o poder dos tempos áureos. Que comece a caçada…

 

   Este livro é um conto de fadas, o que não quer dizer que seja para crianças. De fato, nos agradecimentos, o autor diz que seus filhos não o ajudaram em nada, e ele aprecia isto. Diferentemente de ler os clássicos Cinderela, Branca de Neve e Rapunzel, nossa inteligência não é subestimada. Quer ler uma história que te remeta à infância, mas que não te trate assim? É essa!

   Leitura obrigatória para todos que cresceram, mas ainda gostam de se encantar com bruxas, cavaleiros, unicórnios… E mesmo que já tenha visto o filme muitas vezes, garanto que a experiência não será prejudicada – você deixa de ser um expectador, e passa a ser o diretor da própria história, recriando tudo na sua cabeça. ♥

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

De volta pra estante #98: Travessia.

 

#97 - Travessia

 

Nome: Travessia

Autora: Ally Condie.

Editora: Suma de Letras.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

“Porque no fim nem sempre dá pra escolher com que coisas podemos ficar. Só podemos escolher como as deixamos ir embora.”

 

   Destino entrou em minha vida por conta da capa legal e do marketing feito pela editora na época. Gostei muito, e decidi que essa série não pararia em casa, para que mais pessoas lessem: como consegui o primeiro em uma troca, ele foi embora da mesma maneira. Enviei Travessia com muita dor no coração.

 

   O livro todo se baseia no título – realmente é uma travessia, os personagens estão sempre em movimento. A princípio, Cassia está procurando por Ky, que foi deixado em uma aldeia fantasma como isca para que os inimigos da Sociedade atacassem. Quando por fim eles se encontram, o caminho passa a ser para se juntar aos rebeldes.

 

   Falando assim, até parece que a história é sem graça… porém não! Este volume tem a narração dos capítulos alternadas entre Cassia e Ky. Novos personagens são trazidos, e eles têm personalidade, não se contentando em ser figurantes. Também reencontramos alguns que foram deixados para trás, e voltam com segredos a serem desvendados.

   Amei cada página, e não sofri as dores do segundo livro – quando os autores resolvem enrolar a história até chegar no final (hei, Liberta-me, estou olhando para você!). Ally Condie se propôs a escrever uma trilogia, e assim tem sido feito. Da metade pra frente, fiquei em permanente estado de suspense, por mais que tudo parecesse estar bem.

   Conquista, o último livro da série, tinha previsão de lançamento agora em Julho, mas foi adiado e não sei pra quando. :(

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De volta pra estante #97: Cilada.

 

#96 - Cilada 

Nome: Cilada

Autor: Harlan Coben.

Editora: Arqueiro.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

“A gente vem ao mundo e sai por aí, colidindo com os outros. E, nessas colisões, às vezes alguém se machuca. É assim que as coisas funcionam.”

   Minha primeira experiência com romances policiais contemporâneos foi com Desaparecido Para Sempre, também de Harlan Coben. Gostei muito, e sabia que outra leitura dele seria acertada. Acabei guardando Cilada para quando precisasse ter certeza de que leria algo bom.

 

   O prólogo nos apresenta Dan, que vai em resgate a uma garota atendida pelo centro de assistência social no qual ele trabalha – ela fez uma ligação na qual pedia por ajuda. Chegando lá, ele encontra a equipe de filmagens do programa de Wendy, que desmascara pedófilos que marcam encontros com adolescentes em salas de bate-papo virtuais. Dan acaba fugindo, alegando inocência.

   Ele é inocentado, por fim, mas é morto na frente da jornalista. Sem conseguir a acusação contra a pessoa que ela tem certeza de ser o assassino, ela vai em busca da verdade – Dan realmente era um pedófilo, como tudo indicava, ou seu instinto estava certo, e ele foi vítima de uma cilada?

   Paralelamente, uma adolescente desaparece sem deixar vestígios e, em certo ponto, os dois casos se cruzam, ainda que em circunstâncias suspeitas.

 

   A melhor definição para Coben é a declarada na orelha do livro - “aclamado na França como ‘o mestre das noites em claro’”. Nada mais verdadeiro! O começo foi morno, mas o suspense é tão bem construído que você se encontra refém da história. Eu fui obrigada a largar o livro para dormir, pois precisava acordar cedo no dia seguinte, mas só o consegui depois de quebrar várias vezes a promessa de só mais um capítulo.

   O autor não enfeita a história, e sabe construir seus cenários sem ser prolixo. Em dois parágrafos, ele conseguiu descrever a cena de um acidente tão horrível que me fez largar o livro por um minuto.

   Foi possível, inclusive, detectar críticas a sociedade estadunidense. Como os personagens são pessoas tão normais quanto seu vizinho, nada mais normal do que eles terem os mesmos problemas…

   Gostei muito (ainda que prefira Desaparecido Para Sempre), e só aumentou meu amor por Coben. Além dos livros avulsos, ele tem um personagem fixo – Myron Bolitar – , mas não gosto deste tipo de narrativa (tive uma experiência com Alex Cross, do James Patterson). Pretendo ler Confie em Mim e Não Conte a Ninguém e, enquanto isso, decido se embarco nas aventuras de Bolitar.

terça-feira, 30 de julho de 2013

De volta pra estante #96: Após a tempestade.

 

# - Após a tempestade

Nome: Após a Tempestade

Autora: Karen White.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

 

convidado do blog

   Novidades na área: a resenha de hoje foi feita pelo Ygor Renato, um amigo meu que escreve para o Leitor Maníaco! Ela não tem spoilers, então aproveitem – e tem promoção do livro em breve. ;)

ᴥᴥᴥ

   Após a tempestade conta a história de Julie: sua irmã desapareceu quando ela tinha 12 anos, sendo que a busca nunca terminou. Já adulta, ela conhece Mônica, que lembra muito sua irmã, e acaba se tornando melhor amiga dela. Com vários acontecimentos na sua vida, Julie terá que fazer escolhas que mudarão o rumo das coisas.

   A história contém uma carga emocional bastante pesada; você sente o sofrimento de alguns personagens, e fica explícito o quanto a vida sofrida de uma pessoa pode melhorar ou piorar.

   O livro envolve também cidades e pessoas dos EUA que sofreram com a passagem do furacão Katrina, deixando marcas em suas vidas. A autora diz que teve que pesquisar bastante tanto sobre o furacão Camille, que teve sua passagem na costa dos EUA em 1969, quanto sobre o furacão Katrina que teve sua passagem em 2006: ambos fizeram um estrago geral.

   A personagem principal, de acordo com as consequências ao decorrer, se destaca por ser muito madura e bastante equilibrada mentalmente: não é qualquer pessoa que passaria por tudo que ela passa e continuaria de pé e perseverando.

   O romance é inserido no livro do jeito certo: achei que a autora escreveu muito bem. Ele foi entrando de fininho até tomar finalizar a história.

   Os personagens secundários da série também se mostram maduros e super atraentes; não teve nenhum personagem que eu possa dizer que eu não gostei. Cada um tem sua pitadinha de diferentes personalidades e isso agrada todo tipo de leitor. A autora soube criar o tanto de personagem certo pra esse livro, ficou na medida correta.

   Apesar de suas mais de 400 páginas, dá pra ser lido em 2 dias. É gostoso de ler, emocionante; li sem expectativa nenhuma e que eu me surpreendi muito, recomendo! Eu dei 4 estrelas e meia, só não dei 5 pois achei que faltou algo ali, não sei explicar o que, mas o livro é muito, muito bom mesmo!!

terça-feira, 23 de julho de 2013

De volta pra estante #95: Quem poderia ser a uma hora dessas?

 

#95 - Quem poderia ser a uma hora dessas

Nome: Quem poderia ser a uma hora dessas?

Autor: Lemony Snicket.

Editora: Seguinte.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

“As crianças e os adultos deste mundo estão navegando em barcos completamente separados, só se aproximam uns dos outros quando algum de nós precisa de uma carona ou quando algum deles quer que lavemos nossa mãos.”

   Mal me contive ao saber que poderia ler mais Lemony Snicket depois de Desventuras em Série, desbravadas nesse ano mesmo. Só não li assim que chegou porque Só Perguntas Erradas é uma quadrilogia, e este é o primeiro e único livro publicado até agora.

   Lemony tem 13 anos e concluiu sua formação incomum; agora é hora do trabalho prático, com uma tutora. Da lista de 52 disponíveis, classificados em ordem decrescente de habilidades, ele escolhe justo a quinquagésima-segunda: S. Theodora Markson (e toda vez que você perguntar o que significa S, ela te responderá com uma frase que começa com S). Snicket escolhe a pior pessoa disponível de propósito, e mesmo que haja um motivo por trás disso, nem sempre será fácil aguentá-la.

   Os dois partem para uma cidade que está lentamente desaparecendo por conta de problemas econômicos – Manchado-pelo-mar se baseia na extração de tinta de polvos, que já não produzem como antigamente. Seu cliente quer que uma estátua seja recuperada e afirma que ela tem um valor inestimável, mas acaba-se descobrindo que nada foi roubado. O mistério resolvido desencadeia uma série de outros acontecimentos que requerem atenção, e por mais que no final o principal suspense seja resolvido, o tal objeto ainda não é recuperado, deixando o gancho para o resto da série.

 

   Não pude evitar de dar 2 estrelas para o livro, que se mostrou bastante regular. A leitura foi rápida, mas não senti o ponto alto da história, o momento AHÁ. É bacana acompanhar Lemony desde seus primeiros casos, mas e aí? Quê mais? :(

   Provavelmente vou continuar acompanhando a série, mas ela não será prioridade. Pode ser mal de primeiro livro, como vive acontecendo: o autor não quer entregar muito a história, e fica travando o fluxo narrativo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

De volta pra estante #94: Entre o agora e o nunca.

 

#94 - Entre o Agora e o Nunca

 

Nome: Entre o Agora e o Nunca

Autora: J. A. Redmerski.

Editora: Suma de Letras.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

“Coincidência é só o nome que os conformistas dão ao destino.”

 

   A princípio, achei que não gostaria do livro: depois de sair de leituras de fantasia/distopia, não me ajustava à história real traga por Redmerski. Foi uma sensação parecia com sair de um universo muito intrincado e ter que voltar ao dia a dia.

   Para acentuar meu drama, Cam é um poço de amargura: tudo está errado, desde a morte do amor da sua vida, a traição do último namorado, a separação dos pais, a prisão do irmão… Será que dava pra piorar? Ela vive boiando na superfície, seguindo a maré; o máximo que consegue se forçar a fazer é parar de tomar os remédios para depressão (“vou me curar no meu ritmo, e não preciso de um comprimido pra consertar as coisas”). A grande força que faz sua vida andar é sua melhor amiga, Natalie.

   As duas acabam tendo um desentendimento bem frívolo, e Cam resolve ouvir a vozinha interior que grita por atenção. Ela levanta, arruma suas coisas e ruma pra rodoviária, escolhendo seu destino com base no lanche da atendente. É o primeiro passo para se encontrar: destruir todas expectativas. No ônibus ela conhece Andrew, um garoto que está (l)indo se despedir do pai convalescente. A viagem solitária e sem destino deveria guiá-la ao auto-conhecimento, mas quem disse que ela conseguiria deveria seguir sozinha?

 

   Foi apenas uma questão de paciência e desintoxicação. Assim que mergulhei na história, não consegui sair dela e imagino que não a esquecerei tão cedo! Estamos em Julho, entrando de férias e tô morrendo de vontade de viajar. Como não me apaixonar por uma história que se passa na estrada, onde os personagens vão conhecendo cada lugar sem compromisso?

   Ah, eu bem que me aventuraria num ônibus sozinha, se tivesse a chance de encontrar meu parceiro de crimes…

   Esse livro foi um romance bem mais intenso do que esperava.  A autora até inseriu algumas páginas de trollagem no final (que resultaram em lágrimas de revolta e indignação)! Espero poder reler e reencontrar Cam e Andrew – aproveitando para anotar todas referências musicais citadas, pra criar uma playlist. ;)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

De volta pra estante #93: Liberta-me.

 

#93 - Liberta-me

 

Nome: Liberta-me

Autora: Tahreh Mafi.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

 

- E quais são as três perguntas que devem fazer a si mesmos antes de falar?

- Primeira! Isso precisa ser dito? Segunda! Isso precisa ser dito por mim? Terceira! Isso precisa ser dito por mim agora?

 

   Fiquei assustada com o tamanho do livro. No que a trama poderia se desenrolar para justificar a quantidade de páginas?

   Essa pergunta ainda ficou sem resposta. O ponto que me fez desgostar de Estilhaça-me voltou com tudo no segundo volume da série.

 

   Juliette e Adam se encontram no Ponto Ômega, se adaptando ao novo cotidiano e todas as descobertas. É tudo muito amor – eles não estão mais sendo perseguidos, encontraram aliados… Só que alguma coisa tem acontecido com o garoto, que aparenta estar (finalmente) sendo afetado pelos toques de Juliette. Os momentos de felicidade logo são diluídos em pensamentos de culpa, tristeza e desesperança: como ficar com seu amado se isso o prejudica? Do lado de fora, Warner claramente não desistiu de tê-la como arma, e o conflito iminente se aproxima.

 

   Não me alongarei mais sobre a história porque qualquer coisa além pode estragar algumas das surpresas da autora. Sim, são muitos acontecimentos, mas o tipo de escrita – rodeado por reflexões, rodeios, descrições de cenas e de cada movimento do personagem – tornam o livro muito cansativo. Fiquei duas semanas enrolada com ele, até decidir fazer leitura dinâmica, me atendo aos fatos.

   Não me vejo investindo no terceiro volume.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

De volta pra estante #92: a Linguagem das Flores

 

#92 - A linguagem das flores

 

Nome: A Linguagem das Flores

Autora: Vanessa Diffenbaugh.

Editora: Arqueiro.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

“Seu comportamento é uma escolha, não quem você é de verdade.”

   Essa foi mais uma indicação da Luciana (ela e o Felipe têm o dom de me fazer largar a resenha e ir arranjar o livro o mais rápido possível!). Já havia ouvido outros bons comentários, e comecei o livro assim que ele chegou da troca via Skoob.

✿

   Vanessa é uma garota que mora num orfanato, e acorda em seu último dia lá, quando completa 18 anos; seu primeiro presente é uma travessura de outra garota, que a atiça com seu trauma com fogo. A assistente social responsável tem uma postura resignada, e mesmo que ainda tente dar oportunidades para Vanessa, sabe que não dará em nada.

   Saindo do orfanato ela vai para uma espécie de pensão, e está bem desanimada com tudo. Sem emprego, família ou algo que de fato precise de sua atenção, ela nos apresenta sua habilidade com flores, ao cultivar um pequeno jardim em uma praça da cidade. Paralelamente, acompanhamos sua infância, viajando por lares adotivos até chegar em Elizabeth.

   Sua sorte muda quando consegue ser contratada para trabalhar em uma floricultura. A coisa mais incrível é que Vanessa não só conhece as flores, como sabe o significado de cada uma; por isso, quando os clientes faziam seus pedidos, os arranjos iam muito além da beleza.

   Em uma visita ao mercado das flores, ela recebe uma de um dos vendedores… o que acaba sendo uma mensagem!, respondida logo na outra visita. Os dois começam a se comunicar assim, até se encontrarem formalmente e desvendarem a importância de um na vida do outro.

❀ ❀ ❀

   Essa é mais uma resenha que me forcei a fazer – porque o livro é muito bom. Tenho dificuldades para argumentar quanto ao que me faz gostar tanto dele! Mas IMAGINA: você trocar mensagens a partir de FLORES! Isso nesse mundo de sms, Facebook e Whatsapp. É um lindo romance, que sai do comum das histórias do gênero, e que tem um final feliz (sem mortes \o/). E, de quebra, o fim do livro ainda tem um dicionário de flores. ♥ ♥ ♥

terça-feira, 9 de julho de 2013

De volta pra estante #91: Estilhaça-me.

   # 91 - Estilhaça-me

Nome: Estilhaça-me

Autora: Tahreh Mafi.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

“Somos alimentados de mentiras porque acreditar nelas nos torna fracos, vulneráveis, maleáveis.”

 

Juliette está em um hospício e jura que não está louca. Em 264 dias ela não teve contato com mais ninguém, o que na verdade é o motivo por ela estar ali: seu toque incapacita as pessoas e, se for prolongado, pode levar a morte. Relevei todas as semelhanças com a Vampira de X-Men pra não prejudicar a leitura, até porque o cenário procura se apresentar como distópico: a sociedade é governada pelo Reestabelecimento, e a Terra está castigada pelas alterações climáticas, falta de comida e usinas nucleares, sendo Juliette um possível resultado disso tudo (mutação genética).

   Nesse ponto, sua rotina é quebrada com a entrada de um companheiro de cela confinamento, que faz muitas perguntas mas não lhe dá nenhuma resposta. A garota fica a beira de um colapso, com medo de encostar nele e trazer a tona o passado que tenta manter sobre controle. E não só por conta de ocasiões traumáticas, mas porque ela o conhece…

   A escrita é bastante peculiar. A autora usa e abusa de tachados no texto, algo que não tinha visto até então, e não segue uma estrutura regular de construção – ora as palavras seguem continuamente sem nenhuma pontuação mesmo que saibamos que ali atrás cabia uma vírgula… Ora ela corta.

   Juliette é um tanto quanto repetitiva  e com mimimis, me lembrando Katniss Everdeen. Todos sabemos o quanto ela é traumatizada e se odeia, mas daí ficar lembrando disso toda hora e não aproveitar oportunidades pra mudar?

   Ao contrário do que ouvi incontáveis vezes, me peguei gostando da história! Sendo em primeira pessoa, as emoções ficam mais intensas e te conduzem até o fim num piscar de olhos. Tive dificuldades com a escrita, mas já comecei Liberta-me e tô empolgada!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

De volta pra estante #90: Como um romance.

#90 - Como um romance Nome: Como um romance

Autor: Daniel Peniac.

Editora: L&PM Pocket

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC.

   Você conhece os 10 mandamentos do leitor? Navegando por aí eu descobri que essa lista veio de um livro, e fiquei curiosa para saber mais sobre ele. Tive que comprar pela Estante Virtual, por não encontrar no mercado (hoje já está em todas as lojas, esquece essa resenha e encomende agora!!!).

   Fui envolvida em uma conversa franca com o autor, que compõe seu fluxo narrativo acompanhando a vida de um garoto; este tinha de tudo para ser um leitor, mas se encontra desmotivado em ler uma obra obrigatória para a escola.

 

   É de conhecimento geral que o gosto pela leitura é um processo. Muitas crianças são incentivadas quando pequenas – pelos pais, que abandonam a função assim que a figura do professor assume, que por sua vez pode adotar métodos não-tão-efetivos para incentivar a leitura. O indivíduo acaba se perdendo no caminho.

   Temos a oportunidade de desvendar os mistérios que levam ao bookaholismo. O tal garoto nos conduz por todos os estágios – a formação das primeiras palavras, a empolgação de desvendar os códigos que o cercam e a alegria pela primeira independência alcançada na vida. Nossos caminhos se separaram quando ele se tornou rebelde, mas eu enxerguei meu irmão, alguns amigos e aquele menino custoso da sala de aula. Nem todos resistem.

   É difícil para mim escrever aqui – assim como acontece com todos meus livros favoritos –, mas precisava apresentá-lo ao mundo. É como um filho que não te deixa em paz enquanto não é apresentado a todos os adultos da festa. Seja leitor, professor, pai, tio, padrinho, enfim! Interessado em compreender o que leva pessoas a gastar 100 reais em livros por mês/pegar três livros por semana na biblioteca precisam ler Daniel Peniac, além dos 10 mandamentos já citados.

domingo, 23 de junho de 2013

De volta pra estante #89: O Torreão.

# - O Torreão Nome: O Torreão

Autora: Jennifer Egan.

Editora: Intrínseca.

Comprar: Submarino – FNAC – Saraiva.

"Perdemos a capacidade de inventar coisas. Passamos esse trabalho para a indústria do entretenimento, e ficamos sentados por aí babando na camisa, enquanto eles fazem isso por nós."

 

   Mais um livro que poderia ter sido melhor… se não fossem minhas expectativas.

   Sempre espero encontrar um nível de leitura diferente quando pego autores vencedores de prêmios, e procuro determinar o que os fez merecedores da honra. Devia ter me precavido: Jennifer Egan recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção 2011 por outra obra – “A visita cruel do tempo”, que está na fila de leitura – , e não por “O Torreão”.

  Para os leigos, torreão é a estrutura de um castelo, em formato de torre, que tem como função a defesa da propriedade. Esta é a primeira coisa que chama a atenção de Danny, um adulto de quase 40 mas que se veste como um punk de 20; ele havia sido convidado por seu primo, Howard, para ajudá-lo em um novo empreendimento, numa cidade de nome impronunciável na Áustria, Alemanha ou República Tcheca (“essas fronteiras vivem deslizando para cá e para lá”). 

   O personagem de Danny é tão singular que define o celular como lar: só quando está em uma ligação, parte cá e parte lá, que ele se sente completo. Ele tinha tudo para ser alguém na vida, mas uma sucessão de escolhas erradas o levou a aceitar o pedido do primo sem pensar duas vezes – mesmo que os dois tenham um passado conturbado.

   A proposta de Howard é transformar um velho castelo em um hotel que recobre o modo de viver da Idade Média, quando o homem dependia de si e dos outros para viver, e não de máquinas. No final, a região deve se transformar em um retiro espiritual para o homem moderno.

   Esse contraste e todas discussões sobre a interação homem-tecnologia incomoda – olhe para você, agora! Está fazendo uso de um equipamento que está ligado sabe-se lá desde quando! E a parte mais peculiar em montar um negócio a partir do afastamento dessas tecnologias é a necessidade dele existir. Quem não gosta da ideia de passar um fim de semana na fazenda desde que tenha sinal de celular?

  A história vai além, ao mesclar esse enredo com a de um presidiário que frequenta uma oficina de escrita. O momento em que os caminhos se cruzam é tão sutil que senti como se virasse o livro do avesso. Enquanto lia, sentia que ia entrando em um estado quase de meditação – ao contrário de todas as leituras que tenho feito. Não me foi despertada nenhuma empatia pelos personagens, mas estive ao lado deles e evolui paralelamente.

   Por fim, acredito que o que me prendeu até o final foi o clima neogótico do romance. Fazia tempos que não tinha contato com esse tipo de narrativa, que leio menos que gostaria.

terça-feira, 28 de maio de 2013

De volta pra estante #88: Meu amor, meu bem, meu querido.

 

# - Meu amor, meu bem, meu querido

Nome: Meu amor, meu bem, meu querido

Autora: Deb Caletti.

Editora: Novo Conceito

Comprar: Cultura – Saraiva – FNAC.

“Era seu dia de sorte. O que sempre acaba acontecendo é que devemos a nossa sorte ao azar de outra pessoa.”

 

   Ruby está no ensino médio e se define como uma “menina calada”, ou seja, daquelas que não se manifesta na aula – por mais que tenha contribuições relevantes para fazer. Seu dia a dia envolve escola, trabalho e voltar para casa, sendo que em um dos caminhos ela pode passar pela residência de uma das famílias mais ricas da cidade, os Becker. É em uma dessas caminhadas de volta que ela conhece Travis, que lhe apresenta uma nova perspectiva de vida. Enquanto isso, sua mãe sofre com as cicatrizes mal curadas da separação de seu pai, que ainda assim não sai definitivamente de suas vidas.

 

   Julguei o livro pela capa (muito linda!), mas não consegui associá-la à história, e sempre que a vejo sinto como se ainda não tivesse lido o livro. Não conhecia a escrita da Deb, e a sensação foi de que ela quis abordar vários acontecimentos, mas não soube relacioná-los. Ficou algo como: agora a protagonista sofre de amor; agora a família entra em colapso; opa, hora de se enrolar no trabalho! e assim por diante.

   De fato, o núcleo que mais me chamou atenção foi o das Rainhas Caçarolas. Algumas senhoras de idade se reúnem com a mãe de Ruby, que é bibliotecária, e formam um Clube do Livro. Dali saiu uma trama MUITO interessante! Foi uma pena quando acabou. Esse assunto ainda levou o livro a ter um guia de leitura no final, justamente para ser abordado por grupos de leitura. Adoraria se essa tendência fosse seguida aqui no Brasil, como já é feito no exterior.

   A leitura foi rápida, mas ficou faltando alguma coisa para concluir a história de maneira significante.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

De volta pra estante #87: Uma questão de confiança.

#87 - Uma questão de confiança 

Nome: Uma questão de confiança

Autora: Louise Millar.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

 

“Ouvi isso um dia, que as pessoas que sempre imaginam o pior sobrevivem porque estão sempre preparadas. Têm um plano de fuga do avião pronto na cabeça. A saída de emergência do hotel registrada na memória. Um galho em que segurar se caírem na correnteza de um rio. Parece, porém, que estou equivocada.”

 

   “Uma questão de confiança” se ambienta na Londres pouco conhecida, longe dos badalados centros comerciais e turísticos: Debs, Callie e Suzy compartilham da mesma vizinhança nos subúrbios da capital, em um ambiente bastante doméstico. Os capítulos se alternam para mostrar o ponto de vista de cada uma, que não poderia ser mais diferente.

   Callie vive com sua filha Rae, e se dedica exclusivamente à ela; quando mais nova, a menina teve um problema cardíaco que exigiu bastante cuidados, e até hoje é privada de certas atividades para evitar recorrências. O pai vive viajando a trabalho e, quando liga, despeja cobranças em Callie, que se sente acuada pela situação em que se encontra. Sua única amiga, em dois anos de vizinhança, é Suzy, que por sua vez tem bastante conforto: com três filhos homens e um marido rico, era de se esperar que ela fosse feliz… Mas Jay também não para em casa, mesmo enquanto está na cidade.

   As duas viviam nessa rotina de insatisfação, e eram tão próximas que uma fica vigiando a outra pela janela da casa! O equilíbrio fica perturbado com a chegada de uma nova vizinha, Deb, e seu marido. A inquilina claramente tem problemas psicológicos, e é constantemente atormentada por fantasmas do passado. Sua integração com a comunidade não é nada fácil, principalmente por barreiras que ela mesmo cria. Ao começar a trabalhar na escola local, ela se vê em contato com Callie e Suzy. Até que ponto se pode confiar uma nas outras?

 

   O livro me manteve em um clima de suspense constante. Fiquei esperando que algo acontecesse, e quando de fato ocorreu… era como se faltasse mais alguma coisa. Nos foram dados todos os indícios de que a história chegaria naquele ponto, e acabou não surpreendendo. Houveram alguns microclímax, mas não o que o enredo como um todo merecia.

   Vale a pena pelo trio de personagens fortes e suas histórias paralelas, mas não confie no suspense proposto.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

De volta pra estante #86: Esperando por Você.

 

#86 - Esperando por vocêNome: Esperando por você

Autora: Susana Colasanti.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – Leitura.

“Às vezes, quando estou estressada, volto aos meus velhos livros da Judy Blume, da época do ensino fundamental, ou a reprises de programas aos quais eu assistia quando estava no 6º ano. Eles me lembram de como eu era antes de minha vida ficar tão complicada. E me dão esperança de que, um dia, talvez eu consiga recuperar aquela tranquilidade.”

*E essa, senhoras e senhores, é a melhor explicação de todos os tempos sobre o sentido de assistir Barbie aos sábados de manhã*

   Não sabia de onde vinha todo esse frenesi por causa da Susane Colasanti… Vi resenhas de “Bem Mais Perto” e resolvi ler este lançamento, pra ver do que se tratava. Acabou se desenrolando em um romance adolescente, como há tempos não tinha lido (portanto, já não sou a melhor para julgar se caiu em muitos clichês, embora não tenha tido essa sensação).

   Ao voltar do acampamento de verão, Marisa encontra sua melhor amiga, Sterling, para estabelecerem um pacto para o novo ano – fazer dele o melhor possível e parar de esperar as coisas boas acontecerem. Assim, elas voltam às aulas e, claro, em busca de um namorado! Sterling tem fixação em caras mais velhos – como um complexo de Édipo mal resolvido –, e Marisa gosta do menino mais popular, bonito e gente boa da escola – Derek.

   Ao contrário do que pensei, ela não fica correndo atrás dele o livro inteiro! Os dois realmente começam um relacionamento estável, quando ele termina com a namorada-barbie. Enquanto isso, Marisa tenta lidar com Sterling, que se sente abandonada, Nash, que já quis ser mais do que um amigo, e muitos problemas em casa.

   Eu realmente gostei do livro por sair dos moldes dos quais estava acostumada, mas o que mais me agradou foi a identificação com a protagonista: ela teve um sério distúrbio de ansiedade no passado, e vive se policiando para não voltar àquela fase. Sei que tenho algo semelhante, mas nunca fui num profissional adequado para ver o que pode ser feito. Por isso, cada parte pesquisada pela autora e inserida no livro foi de grande valia! Desde sintomas até o que fazer, no dia a dia, para se controlar.

   É uma boa leitura despretensiosa, como um sopro de ar fresco. Me trouxe algumas lembranças do não-tão-distante Ensino Médio, ainda que muitas das situações apresentadas aconteceram mais com amigos meus do que comigo mesma. O ponto alto foi, sem dúvida, a conexão autêntica que senti com a personagem.

quinta-feira, 28 de março de 2013

De volta pra estante #85: Delírio.


A capa não é azul de verdade... é metalizada! Mas como o efeito só é visto ao vivo, fica assim mesmo.
Nome: Delírio
Autora: Lauren Oliver.
Editora: Intrínseca.
Comprar: Saraiva – Cultura – Leitura.
“Fase um: preocupação, dificuldade de concentração, boca seca, transpiração, suor nas mãos, tonteira e desorientação.”

   Em alguns dias, uma sociedade que trata o amor como uma doença e desenvolveu uma cura para ele é uma utopia pra mim! Bora combinar que nem sempre é fácil lidar com os sintomas, que ficam mais graves se não forem tratados.
   Lena sabe muito bem disso: depois que sua mãe foi morta por causa do amor deliria nervosa, ela segue obedientemente toda a cartilha da Sociedade, evitando chamar mais atenção para si ou para a família da tia, que a acolheu. Felizmente, ela não terá que se policiar por muito mais tempo, pois em alguns meses será operada e destituída da capacidade de amar. Enquanto isso, ela se submete a exames, que definirão se é boa o suficiente para entrar pra faculdade, e que mapeiam suas características psicológicas (uma vez que precisam encontrar-lhe o par ideal).
   A garota procura se afastar de tudo que possa atrair mais falatório, e descobre que pode ser um pouco difícil. Sua melhor amiga, Hana, passa a apresentar um comportamento estranho, e convida-a a conhecer um lado não oficial da cidade – festas depois do toque de recolher, de meninos e meninas, com música não aprovada pelo governo. Adolescente é adolescente em qualquer lugar, e logo a precaução é substituída pela curiosidade. Lentamente um novo mundo se apresenta.
   Fica cada vez mais complicado ser obediente a todas as regras que lhes são impostas: no momento em que está respondendo à sua avaliação, uma confusão de cria no local, e tudo indica que é uma ação dos Inválidos (o grupo de resistência, cuja existência é negada pelo governo. haha.). Claramente a segurança não é tão efetiva quanto se espera… E por falar em segurança, por que aquele garoto estava em sua sala de avaliação? E todo o comportamento inusitado que seu corpo passa a apresenta depois do contato visual com ele seriam sintomas do deliria?

   Eu já tinha ouvido falar de Lauren Oliver, mas não consegui ter ânimo para conferir “Antes que eu vá” até agora. É incrível o quanto ela nos envolve na história, e a princípio tudo parece simples! É apenas uma garota, um garoto e o sentimento universalmente conhecido, mas a forma como ela apresenta tudo isso faz com que não queiramos terminar de ler nunca.
   Finalmente me forcei a concluir a leitura, e ao terminar fiquei abraçada com o livro por algum tempo, me controlando para não recomeçar. A continuação será lançada no mês que vem, mas só de ter Delírio na minha vida já me sinto satisfeita.

   Quanto às adaptações… Claro que não iam perder a oportunidade de trabalhar em cima de uma obra de qualidade. A Fox está produzindo o seriado que conta com Emma Roberts no papel principal. Sou muito resistente à adaptações, principalmente de coisas que gosto muito, mas nesse caso acredito que tenho mais razão ainda : Delírio será uma trilogia, e não é uma obra extensa. Já adicionaram personagens extras; será que conseguirão manter a essência da obra?

segunda-feira, 11 de março de 2013

De volta pra estante #84: A Sabedoria do Condado.

# - Sabedoria do Condado Nome: A Sabedoria do Condado

Autor: Noble Smith.

Editora: Novo Conceito.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

  Esta obra foi lida alguns dias depois da minha ida ao cinema para ver O Hobbit – e eu ainda estava nas nuvens! Foram quase 3 horas de viagem pela Terra Média, e amei cada minuto.

   “A Sabedoria do Condado” pode até cair no gênero auto-ajuda, mas também apresenta as memórias do autor, Noble Smith, que teve Tolkien como mentor em várias épocas de sua vida. A partir das experiências dele é traçado um guia de como trazer os valores da Terra-Média para os dias atuais.

   Cada capítulo do livro contempla uma raça (elfos, ents) ou um marco importante – como a árvore da festa. É uma obra voltada principalmente aos fãs, pois muito dos textos de Tolkien são resgatados (e eu, que ainda não li Silmarillion, peguei até alguns spoilers), e as coisas fazem sentido quando o contexto é entendido.

   Reclamamos que a maior parte das conversas são feitas remotamente, que as comidas são muito industrializadas, o trânsito é caótico, odeio meu trabalho, etc etc. Nosso atual estilo de vida é regido por bytes e circuitos! Não seria ótimo resgatar um pouco da simplicidade da vida de nossos avós ou bisavós? O Condado é uma vila primitiva, com hortas nas casas, política praticamente inexistente e pessoas que viviam para satisfazer suas necessidades básicas. Temos tantas preocupações hoje que se desligar para ouvirmos a nós mesmos parece impossível.

   Por isso gostei tanto do livro. Ele é bem rápido de ler, e acabou por romper meu ciclo de leituras habituais – e me levou a refletir sobre meus hábitos. Não me prendi muito às fórmulas (faça isso, faça aquilo e seja feliz), e sim aos questionamentos, para então me adaptar.

Em vez de irem dormir em um horário razoável, estas pessoas ficam postando 'estou cansado' nas páginas do Facebook, tarde da noite, e assistem simultaneamente a um filme ruim dos anos 1980, na Netflix.

  No meu caso, é reclamar no Twitter e ver um seriado que não está tão bom assim…

   Quer saber de um exemplo concreto? Neste fim de semana eu fui para um parque municipal, cheio de árvores, lagos e tudo mais. Foi uma sensação incrível: andei descalça na grama,  pulei, gritei, corri e voltei com o rosto corado pelo Sol! Há tempos não me sentia tão livre!

   Eu cresci em uma casa com quintal e varanda bem amplos, com cachorros, gatos e peixes convivendo ao mesmo tempo, trocando abacates por mangas com os vizinhos. Nos últimos anos na minha antiga residência, eu passava a maior parte do tempo livre no computador/tevê, e só me desligava quando estava insuportavelmente quente dentro de casa, e ia observar as estrelas. Atualmente, moro num apartamento bem no Centro da cidade. Ainda não me acostumei com o barulho dos carros a noite, e sinto mais dificuldades para respirar, por conta da qualidade do ar.

   Essa é a realidade de muitos, inclusive a do autor. Ele trouxe soluções cotidianas num contexto literário. ♥

   Smith vai além da qualidade de vida: lições de liderança, relacionamento interpessoal com seu Gollum, consumo, entre outros assuntos, são contemplados, à medida que se analisam os perfis apresentados por Tolkien. Recomendo muito aos fãs, que terão em mãos um tributo a um dos mais aclamados livros de fantasia.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

De volta pra estante #83: Deuses Americanos.

# - Deuses Americanos

 

Nome: Deuses Americanos

Autor: Neil Gaiman.

Editora: Conrad.

Comprar: Submarino

“Você só chega à minha idade se sempre esperar pelo pior.”

 

   Sabe aquele autor que te prende no primeiro parágrafo? Ou aquele livro que, mesmo quando não está perto, não sai da sua cabeça?

   Já tinham me recomendado Deuses Americanos antes; numa conversa com um amigo, ele me lembrou que Neil Gaiman foi o responsável pelo roteiro de um dos melhores episódios de Doctor Who. Depois disso, parei de adiar e abri o livro. O que era pra ser algo superficial, apenas um primeiro contato, virou uma compra de 6 obras do autor.

   O melhor da história é ir revelando-a e se deixar surpreender; por isso, recomendo que passe para o próximo bloco e pule a parte sobre o enredo, a seguir.

 

   Shadow foi preso mas, devido ao seu bom comportamento, conseguiu uma condicional. Iria reencontrar a mulher três anos depois, trabalhar na academia do amigo, recomeçar. Ele acaba sendo liberado alguns dias mais cedo – e daí pra frente é uma sucessão de más notícias. No meio de tudo ele conhece Wednesday, que lhe oferece um emprego que é bom demais pra ser verdade.

— Mudanças estão vindo por aí — disse o búfalo, sem mover os lábios. — Há certas decisões que precisarão ser tomadas. (…) Acredite — disse a voz ribombante. — Se você sobreviver, precisa acreditar.
— Acreditar em quê? — perguntou Shadow. — Em que eu devo acreditar? (…)
— Em tudo — rugiu o homem-búfalo.

   A obra vai além da ficção, questionando a sociedade em suas prioridades, crenças e valores. É engraçado o que o autor coloca em sua advertência: “nem é preciso dizer que todas as personagens, vivas, mortas ou mortas-vivas, utilizadas nesta história, são fictícias ou foram usadas em um contexto fictício. Só os deuses são reais” – porque bem que poderiam ser. Conheço muitas pessoas que prestam culto ao cartão de crédito, à tevê…

   O melhor de tudo é o jeito de escrever de Gaiman. Ele descreve muito bem, criando a imagem na sua mente como se estivéssemos vendo um filme. É o que se espera quando autores criam seus próprios lugares e seres.

   Recomendo demais, só deixando uma ressalva: tem algumas cenas fortes! É voltado para o público adulto, mas se você for mais novo e tiver a cabeça aberta… Leia!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

De volta pra estante #82: Macbeth.

#82 - Macbeth

 

Nome: Hamlet | Rei Lear | Macbeth

Autor: Shakespeare.

Editora: Clássicos Abril Coleções.

Comprar: Leitura (3 em 1) – Submarino – Saraiva.

 

  Assim como as obras que a antecedem, essa peça é uma tragédia, e eu aprendi que não deveria me apegar a nenhum personagem. Ele estaria morto no final.

   O que mais me choca é que o autor não poupa ninguém. Esse, particularmente, foi um banho de sangue, devido à natureza violenta das mortes; as alucinações de alguns personagens sempre evocavam imagens perturbadoras.

   O enredo consiste em Macbeth lidar com a profecia de três bruxas, que dizem que ele seria rei. Para tal, ele assume que seu destino é matar o atual monarca e, mesmo quando pensa em mudar de ideia, é pressionado por sua mulher. A sede pelo poder e o medo da perseguição fazem-no ultrapassar cada vez mais os limites da sanidade.

   É muito interessante ver como Macbeth lida com a profecia; claro, na época elas eram levadas a sério, mas ao ter seu destino revelado é como se os meios justificassem os fins, e tudo conspiraria para que ele chegasse até lá – mas como é dito:

Não creia mais em falsas bruxas, que nos enganam com sentidos duplos. Cada palavra é dada ao nosso ouvido, mas traída se agimos com esperança (…)

   Claro que ele só descobre isso no fim de tudo.

   Devo dizer que essa não é minha obra favorita de Shakespeare, mas não deixarei Lady Macbeth pra trás. São várias as referências que lhe são feitas em filmes e outros livros, e ela foi a personagem mais constante (no sentido de que tinha uma personalidade forte, e não se transformou em outra).

   Pretendo encerrar minha carreira nas tragédias shakespearianas lendo Otelo, outro clássico muito citado mas, de acordo com as obras anteriores, eu posso ter certeza de pelo menos uma morte. ._.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

De volta pra estante #81: O Senhor dos Aneis – As Duas Torres.

   Hoje J. R. R. Tolkien completaria 121 anos se estivesse vivo! E vi O Hobbit há poucos dias e saí do cinema com a paixão renovada. Nada melhor do que mais uma resenha da série.

#81 - As Duas Torres 

Nome: O Senhor dos Aneis – As Duas Torres

Autor: J. R. R. Tolkien.

Editora: Martins Fontes.

Comprar: Submarino – Saraiva – Leitura.

"O elogio que vem daquele que merece o elogio está acima de todas as recompensas."

 

Os três livros da história são separados em dois cada um, ou seja, são 6 livros ao todo. O primeiro é até a chegada em Valfenda, o segundo, sobre o trecho pelo qual a Sociedade atravessa, ainda unida. O terceiro (começo de As Duas Torres) trata do destino do restante do grupo, que está sob o ataque e logo tem uma baixa.

   Eu não esperava que o fim de A Sociedade do Anel teve: a Demanda se separou, criando dois fluxos de história. Frodo e Sam resolvem partir, deixando os outros para trás. O restante é separados novamente: os orcs que os atacaram levam dois hobbits, e os que ficam vão atrás deles – uma vez que os outros estão fora de alcance. Enquanto isso, o Portador do Anel e seu fiel escudeiro partem sozinhos tentando cumprir sua missão.

   Mais uma vez, conhecemos outros seres, mas o enredo não se preocupa tanto em explicá-los: agora, o poder do inimigo está se expandindo e é preciso agir. Eu tenho preguiça de filmes de ação por causa das cenas de luta/guerra. Se estiver em casa, pode ter certeza que vou passar pra frente. A vantagem do livro é que o que dura uns 10 minutos no filme se contam em duas páginas, tratando da estratégia de ataque, desempenho dos envolvidos e tudo mais. Amei a parte da batalha, por causa da posição de cada um em relação ao que estava acontecendo, explorando suas habilidades (e Legolas e Gimli competindo!). Talvez esse seja um nicho que eu possa explorar, por mais que não goste de filmes do gênero ação.

   No livro 4, Frodo e Sam aceitam a companhia e guia de Gollum até a Montanha da Perdição. Ele é uma criatura traiçoeira, de dupla personalidade (a outra se chama Sméagol) e só ajuda por causa do seu interesse no Um Anel.

   Embora não hajam terras de elfos neste volume, contamos com outras cenas belíssimas; as descrições não foram tão enfadonhas (ou eu estava no pique?); e os amigos inesperados são sempre uma ótima surpresa. O final com gancho para o terceiro volume me levou a uma tese sobre trilogias: será que o segundo livro sempre termina deixando o leitor em desespero? (via Jogos Vorazes, Escuridão, etc)

   Nunca pensei que fosse ler a série em tão pouco tempo, já que na primeira vez que peguei o livro (era o volume único) li muito e não vi progresso nenhum. Agora as páginas voam! E é dada a largada para o fim da  jornada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

De volta pra estante #80: Marina.

#80 - Marina Nome: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón.
Editora: Suma de Letras.
Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.
"Aqui estão as lembranças de centenas de pessoas, suas vidas, seus sentimentos, suas ilusões, sua ausência, os sonhos que nunca conseguiram realizar, as decepções, os enganos e os amores não correspondidos que envenenaram suas vidas... Tudo está aqui, preso para sempre." – Marina, se referindo ao cemitério.
   Segunda vez que embarco em um livro deste autor, e novamente fui puxada para a Barcelona do séc. XX. Em uma nota que abre a história, Zafón diz que escreve para jovens – escreve o que gostaria de ler nessa idade –, mas espera que os mais velhos também gostem. Achei estranho, porque não sei se a faixa etária mencionada leria e compreenderia o quanto a obra é rica (mas O Pequeno Príncipe é a prova de que isso não tem nada a ver).
   O protagonista, Óscar, tem 15 anos e, seja por causa da época, seja por sua personalidade, tem um comportamento mais recatado, introspectivo e nada a ver com o que vemos por aí hoje. Ele mora em um internato, e sua família é bastante ausente (não descobri se eles estão vivos ou o quê). Em todo caso, vive ao léu: conta apenas com seu amigo JF e com a simpatia de um professor. Por conta disso, tem o hábito de sair dos limites da propriedade e ir explorar a cidade sempre que possível.
   Em um desses passeios ele se depara com uma grande casa – e de lá vem uma música hipnotizadora. Sem se dar conta de seus movimentos, Óscar entra e começa a explorar o local. Depois de “roubar” um relógio e voltar para devolver, ele passa a ser amigo de Gérman e Marina, pai e filha, que ali vivem. Logo quando se conhecem, a garota propõe uma aventura, que começa em um cemitério e envolvem uma dama que de esconde com um véu e um estranho símbolo de uma borboleta negra.
   O fio condutor da história é esse mistério que envolve a mulher, e logo desenterra antigos acontecimentos. Tudo isso vai sendo revelado devido à curiosidade dos meninos. No entanto, o que mais marcou na história foi a amizade deles nestes momentos: é como se, ao ver uma peça teatral, víssemos só os atores e seu envolvimento, ao invés de notar a trama onde estão envolvidos.
- A paciência é a mãe da ciência - replicou Marina.
- E a madrinha da demência - devolvi.
   Em alguns momentos não consegui me impedir de comparar com A Sombra do Vento, primeiro que li do autor – mas descobri o que tanto me encanta: a história é fantasiosa, mas não tem fantasmas. Tudo parecia envolto por uma bruma e, quando terminei de ler, era como se acordasse de um ótimo sonho. Já tô com vontade de voltar.
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