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terça-feira, 3 de setembro de 2013

De volta pra estante #99: Stardust – O mistério da estrela.

 

#98 - Stardust

 

Nome: Stardust – O Mistério da Estrela

Autor: Neil Gaiman.

Editora: Rocco.

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura.

 

“(…) todo enamorado, no fundo do coração, é um enlouquecido, e, na cabeça, um menestrel.”

   Stardust é, até hoje, um dos meus filmes preferidos. Eu não sabia que tinha livro, e provavelmente não teria lido se não fosse do Neil Gaiman. :D

 

   Muralha é um povoado que está entre a Londres vitoriana e a Terra Encantada. Do outro lado do muro que dá passagem para a Terra Encantada acontece, a cada nove anos, uma feira de artigos mágicos – que é visitada por pessoas das mais diferentes localidades (sejam elas reais ou não). Esse é o principal momento de interação dos pacatos habitantes de Muralha com o resto do mundo.

   Tristan Thorn foi gerado em uma das edições desta feira, ainda que não saiba disto. Sua vida é como a de todos ao seu redor, a começar pela paixão pela bela Victoria Forester. Quando ele resolve se declarar, ela impõe uma condição: ele deveria trazer uma estrela, e daí ela lhe concederia o que ele desejasse.

   Por isso, o jovem parte para desbravar as terras encantadas e desconhecidas, descobrindo que tem um incrível senso de direção, e não estranhe as situações peculiares que surgem pelo caminho.

   A estrela caída veio parar na terra por conta da morte de um rei(e eu gostei muito de saber a relação entre os dois fatos, coisa que não havia percebido no filme). Os três herdeiros precisam encontrá-la e pegar a joia que ela carrega, pois isso lhes dariam o trono.

   Por fim, três bruxas desejam o coração da estrela, para que possam recuperar sua vitalidade e o poder dos tempos áureos. Que comece a caçada…

 

   Este livro é um conto de fadas, o que não quer dizer que seja para crianças. De fato, nos agradecimentos, o autor diz que seus filhos não o ajudaram em nada, e ele aprecia isto. Diferentemente de ler os clássicos Cinderela, Branca de Neve e Rapunzel, nossa inteligência não é subestimada. Quer ler uma história que te remeta à infância, mas que não te trate assim? É essa!

   Leitura obrigatória para todos que cresceram, mas ainda gostam de se encantar com bruxas, cavaleiros, unicórnios… E mesmo que já tenha visto o filme muitas vezes, garanto que a experiência não será prejudicada – você deixa de ser um expectador, e passa a ser o diretor da própria história, recriando tudo na sua cabeça. ♥

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De volta pra estante #69: Em Chamas.

#69 - Em Chamas Nome: Em Chamas

Autora: Suzanne Collins.

Editora: Rocco Jovens Leitores.

Comprar: Submarino – Saraiva – FNAC

“Prim… Rue… por acaso não são elas o principal motivo de eu tentar lutar? Porque o que foi feito com elas é tão errado, tão além de qualquer justificativa, tão malévolo que não me dá nenhuma outra escolha? Porque ninguém tem o direito de tratá-las como elas foram tratadas?
Sim. Isso é o que deve ser lembrado quando o medo ameaça me engolir.”

   Eu não sabia o que esperar de Em Chamas; Jogos Vorazes terminou de uma maneira completa, com apenas algumas… fagulhas aqui e ali, fáceis de serem ignoradas, já que o centro era o evento.

   Assim como esperado, o livro começa com Katniss vivendo como uma vitoriosa dos Jogos Vorazes: a casa é confortável e não falta comida. Depois da viagem de volta para o Distrito 12, ela e Peeta só se falam casualmente Haymitch voltou a beber e Gale completou 18 anos, o que significa que agora ele trabalha nas minas. Como sua família é grande e não consegue se manter por si só, e Katniss não tem nada pra fazer, ela passa a caçar e cuidar deles.

   Como vitoriosa dos Jogos, ela tem que fazer o tour da vitória, em que visita todos os demais distritos e recebe suas as honras. Antes de partir, no entanto, o Presidente Snow aparece em sua casa para avisá-la dos riscos de começar uma rebelião (leia-se: CHANTAGEM!). Foi uma das melhores cenas de todas.

   A garota faz de tudo para passar despercebida e fazer nada que possa desapontar o presidente, mas um movimento no Distrito 11 a desperta para o que pode acontecer de verdade, caso ela ou qualquer outro desafie a Capital.

   Quando o tour acaba, Katniss espera uma viver em paz, lutando contra os pesadelos que passou a ter depois dos Jogos. Então uma reviravolta acontece… e se prepare. Fiquei em estado de choque a partir daí, e só foi piorando.

    Não poderia imaginar que Jogos Vorazes viraria isso; pelo que li, a autora percebeu que não conseguiria escrever tudo o que tinha planejado em apenas um volume, e surgiu a trilogia.

   Claramente não é um livro feliz; não espere glitter e arco-íris, e não se apegue a nenhum personagem! Apesar de ser o preferido de muitas pessoas que conheço, eu tenho sentimentos conflitantes no que diz respeito ao Em Chamas.  Ah, e tem o final. A frase ficou marcada em mim. Por causa dela, sugiro que se for lê-lo, tenha A Esperança com você. Estou previnindo episódios de ansiedade! (e por favor, não leia a tal da última frase. parece que quanto mais eu falo, mais o povo faz… ;P)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O garoto que era invisível.


Querido amigo,
   Ontem conheci um garoto muito especial, Charlie. Ele é o mais novo de três filhos, perdeu o melhor amigo – que se suicidou – e tem um professor muito legal.
   Quando ele começou a me escrever as cartas, deixou claro que não era a primeira vez que enfrentava a morte. Na infância, uma tia muito querida faleceu, o que desencadeou uma série de transtornos psiquiátricos. Por isso eu temia que o mesmo acontecesse depois da morte do Michael –  o tal do amigo que se matou.
   Bem a tempo, o garoto conheceu uns veteranos muito legais: Sam e Patrick. Fiquei chateada quando ele começou a gostar da Sam, porque sei como é amar platonicamente. Ainda bem que ela deixou claro que não poderia ficar com ele… E uma bela amizade começou.
   A correspondência de Charlie durou um ano. Ele não deixou um endereço para resposta: simplesmente escreveu, certo de que eu entenderia suas angústias. A primeira carta foi escrita nas vésperas do começo das aulas no 2º grau, e ele estava com medo. Era um mundo diferente e ele, com seus 15 anos, mal sabia das coisas. Era 1991.
   Acredito que ele seja bipolar: enquanto lia, passei por uma montanha-russa de emoções ao seu lado; e ele dizia ser feliz e triste ao mesmo tempo, embora ainda não entenda como pode ser assim. Charlie se move perguntando o porquê das coisas. Quem somos nós no mundo? Disseram uma vez que ele era invisível. Espero que você possa ler e descobrir o motivo.
   Quanto a mim, não sei o que sou. Mas o questionamento já é um grande passo.
   Para ter acesso às cartas, pergunte por aí se alguém sabe quais são As Vantagens de Ser Invisível. A única pessoa que pode te responder é o Charlie.
   Com amor,
      Miriam.

(este texto também é o De Volta pra Estante #63.)
# - As vantagens de ser invisível Nome: As Vantagens de Ser Invisível
Autor: Stephen Chbosky.
Editora: Rocco.
Comprar: Saraiva – Leitura – FNAC.

“Eu me sinto infinito.”

sexta-feira, 18 de maio de 2012

De volta pra estante #54: Fala sério, filha!

“Mãe é uma coisa engraçada. Elas não acham que sabem tudo, elas têm certeza de que sabem. Elas não acham que são seres superiores, elas têm certeza. (…) Para resumir: mães não se acham, se têm certeza (…).”

 

Fala Sério, Filha! Nome: Fala sério, filha!: a vingança dos pais

Autora: Thalita Rebouças.

Editora: Rocco Jovens Leitores.

Comprar: Saraiva – Submarino – Cultura.

 

   Para quem não conhece, aí vai uma breve apresentação da série: Fala Sério! reúne seis livros de crônicas sobre a vida de Malu ( “– Maria de Lourdes!”, diria sua mãe, Ângela Cristina), cada um retratando um tipo de relacionamento: namorados,  professores, amigas, e pais. Os livros são divididos pela idade de Malu, e ela narra com bastante humor os episódios que marcaram sua trajetória. Já em Fala Sério, Filha! as crônicas são, em sua maioria, contadas sob a perspectiva de seus pais!

 

   Este livro tem uma cara mais família, justamente porque a maior parte dela está envolvida, ora contando, ora sendo retratado. Depois de Malu vêm seus irmãos Mario Márcio e Malena, fechando o círculo. Então, desde o nascimento da protagonista, acompanhamos o relacionamento dela com os pais e os irmãos, agora por um lado um pouco mais maduro. Os pais narram a infância, os primeiros namorados, os shows que foram forçados a acompanhar, as malcriações…

 

   O legal da série é que está dentro de um universo, onde as coisas se encontram ora aqui, ora lá. Quem leu outros livros pode encontrar certas correspondências. Além disso, Thalita resgata elementos de outras obras suas: a banda Slavabody Disco Disco Boys, por exemplo, estava em “Tudo por um popstar”.

Ah, e ao conhecer um pouco mais a autora (tanto no bate-papo que fui quanto lendo por aí) percebi que Malu tem algumas coisas em comum com sua criadora, como o medo de patos e o desgosto por berinjela.

 

   Achei as histórias bonitas, algumas até emocionantes. Quem não curte crônicas pode se aventurar a ler este livro, que ainda composto por várias delas, dá a impressão de ser uma história só, por causa da continuidade. E cuidado: você corre o sério risco de começar a ler e, quando precisar parar, começar a repetir: “Só mais uma, só mais uma!”…

 

   Ontem, na Rede Globo, foi ao ar um episódio da série As Brasileiras, que foi baseado no livro Fala Sério, Mãe! Quem quiser assistir, no Youtube tem o episódio completo! “A Mamãe da Barra” é interpretada por Glória Pires, que contracena com uma de suas filhas no papel de Malu. ;)

terça-feira, 20 de março de 2012

Cobertura do Evento de Jogos Vorazes!




   Com as fotos em mãos, posso finalmente fazer um post digno do evento! Então senta e pega a pipoca para acompanhar a cobertura deste evento maravilhoso.
Mesa de brindes do evento! A Rocco caprichou!
   Desde que anunciaram Goiânia como uma das 12 capitais que receberiam o evento, eu entrei em êxtase. Finalmente poderia participar de um encontro de livros que amo! Comecei a estudar para os quizzes (#alok), e ficar especulando sobre as brincadeiras.
   Imagina minha surpresa quando a editora diz precisar de mediadores, e eu conseguir assumir a vaga? Um dia eu estava apenas como participante, no outro, o evento estava nas minhas mãos. Melhor do que isto, só fazer tudo funcionar. Foram quase duas semanas planejando as atividades, as peguntas pros quizzes e tudo mais. E eis que chega o grande dia!

   No sábado eu estava uma pilha. Tinha sonhado com personagens de Jogos Vorazes, e tomei isto como um desejo de boa sorte (seja do meu subconsciente, seja do livro em si). Esbarrei em alguns contratempos (esqueci a fonte do notebook em casa, a editora mandou umas últimas instruções no último segundos), mas senti que as coisas dariam certo assim que vi a livraria arrumada para receber os outros fãs.
Mediando o evento, wee!
Começamos falando um pouco sobre os livros, a inspiração de Suzanne Collins e a adaptação para o cinema. Alguns contaram um pouco sobre como conheceram a série, suas experiências, e um dos assuntos mais quentes foi a comparação com Crepúsculo e Harry Potter.

Logo em seguida começamos as brincadeiras: a primeira foi um quiz, que premiou o último grupo restante com um kit com marcadores, bottons e adesivos.
Grupo discutindo respostas no quiz.

A próxima foi "A Colheita", que funcionava assim: cada um tirava 4 papeizinhos. Em cada um estavam escritos números, que significavam comida, armas ou medicamentos. A ideia era ir eliminando os companheiros com as armas, até que restasse apenas um. O prêmio era o box, e quem ganhou foi a Dayse, que já tinha 3 box em casa (!), e disponibilizou para prêmio de outras atividades.
A colheita maldita

    Depois veio minha brincadeira favorita: A Equipe de Preparação. Os participantes tinham que reproduzir a trança da Katniss, da Clove ou da Glimmer, ou a barba do Sêneca Crane.
O ganhador na categoria Sêneca Crane: à direita, o autor da makeup!
   Também teve uma brincadeira de interpretação: as duplas tinham que interpretar Katniss e Peeta na caverna, quando ele conta como se apaixonou por ela. Mas não era tão simples: eu falava 'troca!' de vez em quando, e os participantes tinham que alterar sua frase, tentando manter o máximo sentido possível à conversa! Foi HILÁRIO! Sei que no fim das contas o pai do Peeta saiu apaixonado pelo pai da Katniss... HAHAHAHA...
A Dayse interpretou o Peeta. Ela e o Elias ganharam a brincadeira!

   Às vezes eu fico pensando se não foram brincadeiras demais... Acabou dando o horário pra acabar e ainda tínhamos que decidir quem seria o embaixador do Distrito 10 - o nosso -, e sortear o box!
O último quiz foi feito de maneira bem objetiva, e no último sorteio foi de pôsteres, ingressos pro filme e o box!
 A Lívia se deu melhor no quiz final, e a Ana Flávia foi a sortuda que ganhou o box!

   Quando encerrei o evento, a gente ainda ficou um tempão conversando na livraria; descobri que tem um fã clube de Harry Potter na cidade (*O*'), a Dayse se revelou blogueira colaboradora do blog Nem Um Pouco Épico, além da Salomé, que também tem um blog literário. A Ana Flávia é responsável por um site sobre Robert Pattinson e Kristen Stewart e um grupo de meninas fazem parte de um RPG de Percy Jackson! E uma das participantes é campeã de cosplay! DÁ PRA ACREDITAR?
   Nos despedimos combinando criar um Clube do Livro, e nos reunir de novo.
Gente linda!
   Foi incrível, em todos os sentidos. Agradeço a todos que foram, à Rocco e à Paris Filmes, que cederam os brindes, à Livraria Leitura por ceder o espaço, e à Maria Clara, minha prima, e a Ana Clara, minha amiga, que me ajudaram com algumas das brincadeiras.

   Alguém mais foi? Li sobre o evento do Rio de Janeiro, e os outros 10 distritos?


domingo, 11 de março de 2012

Eventos Vorazes: comparecimento é obrigatório!


   No próximo fim de semana, 12 capitais sediarão um Encontro de Fãs - carinhosamente chamado de Eventos Vorazes-, promovidos pela Editora Rocco. Confira abaixo os locais e a qual distrito eles estão relacionados!
The Mockingjay
João Pessoa, PB – Distrito 1 (Luxo) – 18/03/2012, 13h, na Livraira Leitura – Manaira Shopping
Brasília, DF – Distrito 2 (Construção) – 17/03/2012, 15h, na Livraria Cultura – Casapark Shopping Center
Rio de Janeiro, RJ – Distrito 3 (Tecnologia) – 18/03/2012, 16h, na Livraria da Travessa da Barra
Vitória, ES – Distrito 4 (Pesca) – 17/03/2012, 15h, na Logos Livraria – Shopping Vitória
Fortaleza, CE – Distrito 5 (Energia) – 17/03/2012, 15h, na Livraria Cultura – Varanda Mall
Curitiba, PR – Distrito 6 (Transporte) – 17/03/2012, 16h, na Livraria Curitiba – Palladium Shopping Center
Recife, PE  - Distrito 7 (Madeira) – 17/03/2012, 13h, na Livraria Cultura – Shopping Paço Alfândega
Florianópolis, SC – Distrito 8 (Têxtil) – 16/03/2012, 17h, na Livraria Curitiba – Beiramar Shopping
Belo Horizonte, MG – Distrito 9 (Grãos) – 17/03/2012, 14h, na Livraria Leitura – BH Shopping
Goiânia, GO – Distrito 10 (Gado) - 17/03/2012, 15h, na Livraria Leitura, no Goiânia Shopping
Salvador, BA – Distrito 11 (Agricultura) – 17/03/2012, 13h30, na Livraria Cultura – Salvador Shopping
São Paulo, SP – Distrito 12 (Mineração) – 17/03/2012, 15h, na Livraria Cultura – Shopping Bourbon

   Vai ser um grande, grande, grande dia, porque além de Goiânia (minha cidade) estar incluída na lista, eu vou ser mediadora do evento! Está sendo um prazer organizar as atividades para os tributos.
   Não percam a oportunidade de conhecer mais fãs e falar deste livro que amamos! Fora a chance de ganhar brindes relacionados… ;)

   E aí, quem vai? :D


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Resultado do sorteio entre os comentaristas da resenha de “Sabor de Sangue e Chocolate”:
Sorteio do kit

Parabéns, Clara Sabino!
Por favor, preencha o formulário de contato para que o kit possa ser enviado! :D

segunda-feira, 5 de março de 2012

De volta pra estante #47: Jogos Vorazes.

“Aqui está um conselho: fique viva.”

Jogos VorazesNome: Jogos Vorazes

Autora: Suzanne Collins

Sinopse: A história se passa em uma nação chamada Panem, fundada após o fim da América do Norte. Formada por 12 distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital, sede do governo. Uma das formas com que demonstra seu poder sobre o resto do carente país é com os 'Jogos Vorazes', uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de 12 a 18 anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte. Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos 'Jogos Vorazes'?

Editora: Rocco

Comprar: Submarino – Saraiva – Cultura

 

   Eu já tinha ouvido falar desta série, passei por algumas resenhas mas não tinha sentido vontade de conhecer melhor o livro. Depois da insistência de amigos, aproveitei um momento de profundo tédio nas férias e comecei a leitura despretensiosamente. Foi nesse momento que fui tragada para o mundo distópico criado por Suzanne! A história em si é cheia de detalhes, por isso não se prendam muito à sinopse. Acho que ela não faz jus ao livro, não traz todo o espírito de aventura e suspense!

 

   Katniss tem 16 anos e já é chefe da família: com a morte de seu pai em um acidente nas minas, sua mãe entrou em um colapso nervoso e, se a garota não tivesse presença de espírito suficiente, a família não sobreviveria. O Distrito 12, onde ela, a mãe e a irmã mais nova, Prim, moram, é responsável pelo fornecimento de carvão à Capital, e é menosprezado por seus vizinhos.

   Para subjulgar os distritos e e evitar rebeliões, a Capital instituiu os Jogos Vorazes, onde 24 jovens – um casal de cada distrito – devem lutar entre si, matando ou morrendo, até que reste apenas um, que no fim recebe todas as glórias possíveis.

   A escolha dos adolescentes (de 12 a 18 anos) é feita por meio de sorteio. Rola uma apreensão geral, principalmente nos distritos mais modestos, pois os jovens não têm contato com armas e não estão preparados para confrontos; estes costumam ser os primeiros a morrer.

   No 74º Jogos Vorazes, é a primeira vez que Prim poderá ser sorteada. Por ser mais nova, as probabilidade de seu nome ser puxado é mais baixa, diferente de Katniss, que a cada ano tem seu nome adicionado mais vezes. A acompanhante dos tributos (como são chamados os sorteados), Effie Trinket, declara:

“Que a sorte esteja sempre ao seu favor.”

 

   É uma das frases que mais marcam na série, por ser bastante irônica para a situação de Katniss: Prim é sorteada para ser a tributo feminina; como a irmã é a pessoa que ela mais ama na vida, determinada a lhe dar uma chance de viver, Katniss se voluntaria para ser tributo no lugar dela e Effie, após certa relutância, aceita. O garoto sorteado é Peeta, filho do padeiro sa cidade. Os dois, junto com outros 22 jovens, vão entreter a Capital neste reallity show grotesco.

 

   É um livro eletrizante. A autora não mede palavras para descrever o contraste entre o centro da nação e os distritos, as injustiças que a Capital comete para manter o bom padrão de vida de seus habitantes, as cenas de luta, morte… A narração em primeira pessoa – na voz de Katniss – aumenta a ansiedade, por nos permitir estar dentro da história.

   A garota não é como suas antecessoras: aprendeu a caçar com seu pai, e sabe manejar arco e flecha, além de ter reflexos rápidos. Ela se agarra a estas habilidades para ter uma chance de sair vencedora dos Jogos. Por outro lado, ela e Peeta não querem ser apenas mais peças no jogo da Capital: sua consciência social faz toda diferença para o desenrolar da trama.

 

   A série conta com mais dois livros: Em Chamas e A Esperança, já publicados no Brasil. O fim do primeiro livro é tranquilo, é possível ficar sem ler os dois outros. Por outro lado, se quiser continuar e ler Em Chamas, certifique-se de ter A Esperança em mãos, porque o fim de um é tão, mas tão bem elaborado que pode gerar epísódios de desespero em quem não tiver o próximo!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

De volta pra estante #1: Crônicas para jovens: de amor e amizade

   Gosto muito do estilo de escrita de Clarice Lispector. Ela diz as coisas de forma direta, sem muitos rodeios, algo cru, que vem e te atinge. Não tenho preguiça de ler o que ela escreve, mas em alguns momentos ela reflete de maneira tão complexa que eu tenho que parar, ler de novo e analisar. Talvez seja por isso que minha mãe acha que sou nova pra ler Clarice… :D

cl amor e amzade

Nome: Crônicas para Jovens – De Amor e Amizade.
Autora: Clarice Lispector.
Editora: Rocco.
Comprar: Leitura - Saraiva - FNAC


   Este livro surgiu da reunião de crônicas e contos publicados pela autora, tanto em seus livros quando em sua coluna no Jornal do Brasil, durante o período de agosto de 1967 e dezembro de 1974. É interessante observar uma ordem cronológica estabelecida pelos organizadores da obra; como se tratavam de publicações em um jornal, pode-se observar que Clarice escreve uma coisa e em outro texto ela retoma algum elemento da história anterior.
   O livro é bem dinâmico. Os diferentes gêneros nele reunidos dão certa fluência para quem está lendo: imagine que você terminou de ler uma crônica, bem trabalhada e em alguns momentos complexa. Eu precisaria de um break para continuar no livro; em alguns momentos não é preciso: logo em seguida há uma história curta, com apenas algumas linhas, e com um teor irônico. Problema resolvido.

   O livro tem temas pré-estabelecidos (amor e amizade). Isso não impede que os textos sejam bem variados. Ressalto aqui alguns que me chamaram a atenção:

Uma revolta: o narrador se mostra, em apenas cinco linhas, indignado com o amor: quando este é em grandes proporções, é inútil, porque a pessoa para quem o sentimento é direcionado não é capaz de “absorver” tanto, de modo que parte é desperdiçado. A conclusão, então, é que tem-se que ter bom-senso e ser comedido na hora de dedicar tal atenção. A revolta parte justamente desta necessidade de “bons modos” quando se trata de sentimentos; afinal, deveria ser algo espontâneo, livre, e o que se percebe é este limite, inconscientemente estabelecido.

Ao que leva o amor: cito esse por ser um contraponto para as redes sociais atuais: é comum vermos no Orkut ou Tumblr aqueles diálogos como: “Ele: Você me ama? Ela: Sim, te amo muito. Ele: Não, te amo mais”, e por aí vai, sem fim. Alguns acabam em tragédia (uma falta de imaginação sem tamanho; vão ler Romeu e Julieta galera!). O diálogo criado por Clarice não chega a enunciar os sujeitos, simplesmente transcreve a conversa, que por fim é o reconhecimento do amor entre um casal. Quando compreendi as entrelinhas, eu que me emocionei e me diminui frente a tanto sentimento exposto em seis falas. É simplesmente sublime.

O primeiro beijo: eu já tinha lido este conto em outro livro que tenho de Clarice. É um dos meus preferidos, de longe: um menino tem uma conversa com sua primeira namorada, que pede que o amado diga pra ela quem foi a primeira mulher que ele beijou. Ele passa a lembrar, então, da situação. As circunstâncias do ato, e até as passagens sugestivas do narrador, são imperdíveis. Acho que a partir desta leitura me tornei uma legítima “clariceana”.

Liberdade: é uma historinha que narra o nível de sinceridade que um relacionamento atingiu. Penso que este é o mais difícil e trabalhoso degrau a se alcançar numa amizade, uma vez que o ser humano é um bicho de difícil trato: uma amiga liga pra outra. Essa outra diz que não está com vontade de falar. A primeira vai e desliga, então, e vai fazer outra coisa. Será que teríamos a mesma reação? Ficaríamos insistindo, guardaríamos rancor ou apenas entenderíamos o outro?

   Tinha muitos outros pra comentar, mas já me fiz entender: esse livro é muito bom. Tem-se que ter um pouco de bagagem pra lê-lo, e vontade de compreender. Tanto jovens como adultos apreciarão estes textos, cada um de sua maneira; são histórias para se ler uma, duas, três vezes, ou mais. E tem um preço bem acessível.
   Quem sabe você, que nunca enfrentou um livro lispectoriano, não se encante pelo estilo da autora?

   Ainda é possível conhecer outros da mesma coleção – De Escrita e Vida e Do Rio de Janeiro e Seus Personagens.

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